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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

No plantão


Ficar no plantão cansa. E muito!
E olha que só cumpri expediente de oito horas, pois estava aprendendo.

Amanhã é pra valer, 24 horas trabalhando, um feriado nacional, com uma grande feira na Cidade.
É quase uma utopia achar que não terei muita coisa pra fazer.

Ou pior, achar que não terei que lavrar um flagrante, meu maior medo.
Um auto de prisão em flagrante é um procedimento diferenciado, longo, detalhado e difícil em alguns casos.

E o pior: eu nunca fiz um!
Resumindo, se tiver que lavrar um flagrante amanhã, aprendo na marra.

Estarei com uma colega, mas ela é da última turma, e, como eu, não tem experiência.
Não escrevi sobre ontem pelo simples fato de que não teria sobre o que escrever.

Não fiz quase nada, registrei apenas uma ocorrência.
Era feriado municipal.

Talvez as pessoas pensem que a Delegacia não abra e isso explique o fraco movimento.
Mas isso tem um lado ruim: as horas demoram infinitamente mais pra passar.

Hoje, quase não parei.
Registrei umas oito ocorrências, levei procedimentos no fórum, enfim, sempre tinha alguma coisa pra fazer.

O dia passou voando.
Tentei aprender a mexer em um programa utilizado quando há furto ou roubo de veículos, chamado VIN.

Pra se ter uma idéia, acho que ele ainda é em formado MS-DOS, ou seja, não clicamos na opção, digitamos comandos. E, mesmo assim, ele não funciona muito bem, sempre dá erro.
Pra quem já está acostumado a resolver tudo em poucos cliques, é horrível.

Como podem ver, perdi um feriado municipal ontem e perderei um nacional amanhã.
Enquanto isso, alguns colegas estão curtindo o feriadão.

Ossos do ofício.
Angústias de novato.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Nada é definitivo, até que ocorra!


Ontem escrevi sobre o dinamismo da Polícia e hoje já tive mais um exemplo disso.
Logo cedo, fui até o meu superior e confirmei a informação de que não estaria no plantão na quinta-feira.

Alguns minutos depois, fui chamado e informado que haviam ocorrido mudanças.
Eu estava no plantão novamente, mas na sexta-feira.

Concordei, com certo desânimo, pois já havia aceitado a idéia de que não estaria mais.
Além disso, eu deveria me deslocar imediatamente ao plantão para aprender a mexer com o sistema OCR e outros detalhes relativos a cada registro de ocorrência.

Não sou do tipo que fica de cara quando há mudanças repentinas assim.
Posso não gostar, mas não demonstro, não deixo que isso afete o meu trabalho.

As pessoas que serão atendidas por mim durante o plantão não merecem um servidor de má vontade.
E má vontade não seria nem justificativa.

Quando se presta um concurso e se ingressa em uma Instituição, deve-se ter em mente que deveremos estar prontos para sermos utilizados em qualquer setor.
Há colegas que não estão nas delegacias ou cidades que querem, mas fazem um excelente trabalho.

E esse excelente trabalho acaba prendendo-os ainda mais aos lugares em que estão.
Agora, pergunte a eles se eles se sujeitariam a serem maus servidores para conseguirem uma remoção. Claro que não!

Ao passo que um mau servidor acaba prejudicando o lugar em que está até ir para onde quer.
Certamente, prefiro ser lembrado entre aqueles que dão o máximo onde quer que sejam lotados.

Mas, voltando ao assunto, fiquei o dia todo no plantão. Achei interessante.
É um trabalho parecido com o que eu fazia, quando era estagiário na Defensoria Pública.

Ouvir as pessoas, filtrar o que é realmente necessário, ver se isso se enquadra no ordenamento jurídico e colocar no papel.
E não basta apenas saber como ou o que fazer, deve-se saber também explicar em uma linguagem que as pessoas entendam. Certamente, essa é a parte mais difícil.

Já tive colegas que sabiam muito e que, na hora de explicar para pessoas extremamente humildes e leigas em direito, agiam como se falassem com um advogado, deixando as pessoas completamente perdidas.
Para quem não entende, passa a sensação do velho “ta me enrolando”.

Mas, voltando ao assunto, registrei cinco ocorrências, todas relativas a crimes leves.
A colega que ficará no plantão comigo na sexta-feira também é da última turma e, portanto, também ficou lá pra pegar o jeito.

Fomos muito bem auxiliados por dois policiais mais experientes que, a todo o momento, perguntavam se precisávamos de algo.
Mesmo com tudo isso, o registrou principal, fica a cerca das repentinas mudanças que ocorrem.

Nada é 100% certo, enquanto houver possibilidade de mudança.
Nada é definitivo, até que ocorra.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Um dia de folga e de busca


E se inicia mais uma semana.
Cada vez fica mais claro que, na Polícia, tudo é muito dinâmico.

Hoje fazemos algo, temos planos para o outro dia, mas, no outro dia, tudo muda.
Aparentemente estava tudo certo quanto a eu ir para o plantão na quinta-feira.

Hoje, apesar de não ir trabalhar (tenho o dia livre, pelo fato de não votar na cidade onde fiquei lotado), fiquei sabendo que aconteceram mudanças.
Na verdade, essas mudanças apenas restabeleceram as coisas ao seu lugar inicial.

Não ficarei no plantão. Em princípio, pois amanhã, tudo pode mudar.
Já havíamos sido alertados sobre isso na Academia de Polícia e já havíamos vivenciado inúmeras situações no curso de formação.

Para mim, foi uma excelente notícia.
Não que eu queira me eximir de trabalhar em determinado setor, mas seria um lugar novo, em meio a tantas novidades, e onde, em princípio, não teria alguém do meu lado me auxiliando.

De qualquer forma, faria o melhor possível, mesmo que temporariamente.
Como disse, não fui trabalhar hoje.

Vim para São Borja aproveitando a carona do meu já grande amigo Adriano, aquele mesmo, amigo da Luana.
Aproveitei o dia para continuar a busca para um lugar pra morar. Continua difícil, mas possibilidades começaram a aparecer.

Amanhã pretendo ver mais um ou outro, negociar, pechinchar, enfim, tentar encontrar algum valor acessível.
Visitei um bloco de JKs hoje que realmente me agradaram. Muito.

O problema ainda é o preço.
Outro, um pouco mais longe, bem grande, dois quartos, fica como uma boa possibilidade.

Na verdade, não gostei pelo fato de achar grande demais.
Terei a companhia de um eco se morar lá, mesmo que encha de móveis.

Há, ainda, um terceiro, perto da Delegacia, novinho, nunca foi usado, na medida certa... com exceção do preço.
Muitas coisas para resolver amanhã, e ainda há o expediente de trabalho normal.

Vamos ver como vou conseguir conciliar.

domingo, 7 de outubro de 2012

Concurso para a Polícia Civil


Hoje fui perguntado sobre os requisitos pra entrar na Polícia Civil.
Posso falar como foi o certame quando participei, já que alterações sempre podem ocorrer.

Bom, primeiramente, há que se ter ensino superior completo, em qualquer área.
Vi colegas formados nos mais variados cursos.

Essa exigência deve ser suprida até a data da inscrição para ingresso na Academia de Polícia.
O concurso, geralmente, dispõe de vagas pra Inspetor e Escrivão de Polícia em datas diferentes, com uma semana de diferença. Dessa forma, pode-se participar em ambos os cargos.

Posteriormente, o concurso é feito de várias fases.
Primeiro, a prova objetiva, contendo diversos conteúdos, entre matérias jurídicas, português e conhecimentos diversos.

Com essa mesma prova, há, ainda, a redação. Como no vestibular, há a escolha de um tema e, no meu caso, foi pedido pra que nos posicionássemos sobre o assunto.
Feito isso, abre-se prazo para recursos, com divulgação, em seguida, da data para o teste físico.

O teste físico exigia corrida, abdominal, flexibilidade e dinamometria, com valores diferentes para homens e mulheres. Se lembro bem, todos os exercício são filmados, para facilitar um possível recurso.
Passado o prazo recursal, marca-se a data do psicotécnico, onde somos submetidos a vários testes.

O psicotécnico reprova muita gente, mas isso não quer dizer que o candidato seja “louco”, apenas que não possui perfil para ser Policial Civil.
Após tudo isso, somos submetidos a exames médicos. Às nossas expensas, claro.

Entregamos os exames médicos em data determinada e ficamos na espera pela convocação para o início da Academia de Polícia.
Não há um prazo fixo para isso ocorrer.

No meu caso, demorou muito, quase um ano.
A Academia de Polícia é um período muito bom. Muitas amizades e aprendizado.

Nosso curso de formação durou seis meses.
No início, ao ouvirmos que sentiremos saudade da Academia, damos risada, mas isso realmente se confirma mais tarde.

O início é de muita pressão, muita disciplina. Os menores erros são punidos, para que fique claro que há uma hierarquia. Não adianta reclamar.
Aulas em turnos integrais esgotam qualquer um. Provas aos sábados, mais ainda.

Para quem se desloca do interior para Porto Alegre, ainda existem outros fatores, como a adaptação e os gastos. Muitos gastos!
Aluguel, transporte, alimentação...

Recebemos uma bolsa durante o curso de formação, mas ela demora a vir. No nosso caso, demorou dois meses.
Com o passar das semanas, nos acostumamos com a correria e com a disciplina. Tudo acaba ficando mais “natural”.

Mudanças de normas durante o curso são normais e causam certa insegurança.
Após o curso de formação, a formatura, nomeação, posse e exercício.

E têm-se, então, um novo Policial Civil.

sábado, 6 de outubro de 2012

Um resumo da semana


É difícil seguir escrevendo diariamente.

Acabo deixando para depois e não escrevo.

Pois bem, na quarta-feira trabalhamos bastante, tanto na Delegacia quanto na rua.

Fizemos duas oitivas, com reconhecimento por fotografia em ambas.
Levamos uma das vítimas em casa após ouvir todos os detalhes sobre as características do autor do roubo, inclusive de que passava frequentemente na frente de sua casa.

Saímos dali em direção a delegacia quando um indivíduo de bicicleta, muito parecido com o descrito pela vítima, passou por nós (pela rua da casa da vítima).
Não havia dúvidas: só podia ser ele!

Fizemos a volta na quadra e o abordamos. Educadamente, sem armas.
Ele não tinha documentos e isso geralmente é um indício de que a pessoa esconde algo.

Tiramos uma fotografia e pegamos seu nome.
Voltamos até a casa da vítima e mostramos a fotografia: não era ele.

Depois consultei o nome dele nos sistemas policiais e, realmente, não tinha nada que o comprometesse.
Um pouco depois, novamente quando estávamos na rua, recebemos outra informação, para abordarmos um motociclista.

O mesmo da semana passada.
O problema é que ele age em horários de pico, em que o trânsito em São Borja é um caos.
Não há como ser ágil de carro.

Não o pegamos.
Ao chegar em casa, após o expediente, um cheiro de esgoto tomava conta do ambiente.

Na verdade já havíamos sentido, mas havia piorado, e não havia uma causa aparente pra isso.
Na quinta-feira o trabalho foi tranqüilo, nada que mereça um registro.

O registro fica apenas por conta do apartamento.
O cheiro não havia passado e decidimos não insistir com isso.

Iríamos entregar o apartamento, já que não havíamos assinado o contrato ainda.
Ligamos para o dono e explicamos o ocorrido.

Ele concordou com tudo, não relutou, o que deixa a inevitável sensação de que a comunicação do problema não foi uma surpresa.
Fizemos a mudança na quinta-feira mesmo.

Voltei à estaca zero.
Na sexta-feira, cumprimos um mandado de busca e apreensão logo cedo.

Um lugar muito, mas muito pobre. Muito lixo.
Fui surpreendido com uma galinha ao abrir um roupeiro.

E havia outras pelos cômodos.
Acabamos não achando exatamente o que procurávamos.

Mas isso não significa que não tenhamos achado nada.
Quanto ao feriadão que se anunciava, não ocorrerá da forma como eu imaginava.

Uma mudança na escala me colocou, excepcionalmente, no plantão da quinta-feira que vem.
Uma surpresa, já que costumo cumprir expediente normal.

Um plantão dá o direito a três dias de folga.
Os meus, serão sexta-feira (feriado), sábado e domingo. Ou seja, não vai fazer diferença.

Teria a segunda-feira de folga, pelo fato de não votar na mesma cidade em que trabalho.
Mas tenho carona pra segunda-feira e posso utilizar o dia para ver como funciona o plantão e não chegar “cru” na quinta-feira.

É, nem tudo sai como planejamos.
Ainda mais quando não depende só de nós.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Terça-feira


Muita chuva ainda.
O sol que apareceu à tarde era uma armadilha.

Foi só começar a escurecer que a chuva recomeçou.
Agora, os raios clareiam o interior do meu quarto com intervalos bem curtos.

Bonito e assustador ao mesmo tempo.
O dia foi muito produtivo, mas apenas com trabalho interno.

Ficamos sem viatura por fatores externos, mas seguimos nossa produção.
Conseguimos fechar mais dois procedimentos.

Nossa tarefa é solucionar a autoria. Feito isso, termina nossa atribuição e seguem para cartório.
Mesmo com uma boa produção, ainda chegam muitos procedimentos todos os dias.

Somam-se aos cerca de oito mil que existem apenas no nosso cartório.
Mas também há boas notícias: acho que teremos um feriadão na próxima semana!

Nada definido ainda, apenas especulação, mas com boas chances de ocorrer.
Ainda estou sem internet no apartamento e não costumo entrar em nada que não seja relacionado ao trabalho na Delegacia.

Hoje tive que ir a uma lan house atualizar meu perfil no facebook.
O vício não permite que fique muito tempo sem acessar.

Os textos, por exemplo, estão sendo escritos e salvos no meu notebook para serem postados apenas no fim de semana, já que dificilmente terei acesso à internet aqui até lá.
Ademais, tenho que me disciplinar e voltar a estudar.

Tenho vários dias de aula EAD do preparatório para Delegado de Polícia sem assistir.
Vou começar hoje, antes que eu deixe pra amanhã ou depois.

Quanto ao resto, é complicado ser independente, cuidar de tudo sozinho, mas ao mesmo tempo é muito bom!
Tudo faz parte de um aprendizado.


 

Segunda-feira


Estou podre. Muito cansado.
O dia na Delegacia não foi muito puxado. Fora dela sim.

Acabo não descansando quando vou pra casa nos fins de semana.
Durante a Academia de Polícia também era assim.

Quero aproveitar todos os momentos e acabo dormindo tarde e, consequentemente, não descansando.
Dormi quatro horas essa noite.

Acordei mais cedo do que normalmente, pois tinha que vir trabalhar.
Novamente vim de carona com o amigo da Luana.

Muita chuva na estrada. Muita mesmo.
Se bem que choveu muito o dia todo, incessantemente.

Havia ruas completamente tomadas pela água.
Em alguns lugares, a calçada sequer aparecia.

Ótimo pra fazer intimações em locais onde ruas calçadas ainda são um luxo.
Já havia gostado de usar a minha “Macboot” no dia a dia, mas ainda não havia testado com chuva e barro.

Sinceramente, havia comprado pensando nesses momentos, e gostei. Muito boa mesmo.
Se estivesse com um tênis bonitinho, a essa hora ele estaria de molho.

Melhor ainda é enfrentar o barro pra chegar na casa da vítima e ela não estar em casa.
Ainda pela manhã, recebi uma ligação de um amigo, colega de faculdade, natural de São Borja.

Ele mora em outra cidade, mas os filhos, menores, ainda moram aqui e, na noite passada, foram atacados, juntamente com outras pessoas, enquanto estavam em uma festa.
A casa onde se dava a festa ainda estava com a porta arrombada, fruto do tumulto.

Me perguntou quanto tempo demoraria pra fazer o levantamento do local, já que o registro foi feito pela Brigada Militar, afinal, não poderiam ficar com a porta apenas “escorada”.
Me prontifiquei a ver o que poderia ser feito e, diante do aval do meu companheiro de serviço, fomos até lá, no turno da tarde, fazer o levantamento fotográfico.

Fiz por um amigo, mas faria por qualquer pessoa, desde que estivesse ao meu alcance.
À tarde, tínhamos uma pequena confraternização, com comes e bebes, pelo fato de um colega estar de aniversário. Parece que é praxe, mas vai demorar a chegar minha vez.

Após o fim do expediente diário, viemos até o apartamento, limpar os cômodos e organizar algumas coisas.
Além de estar um pouco cansado, o fato de comprar uma geladeira usada e carregá-la do segundo andar de um prédio vizinho até o terceiro andar do nosso prédio, onde está o nosso apartamento, ajudou a terminar com este pobre mortal.

Conseguimos um fogão emprestado com o dono do apartamento, compramos essa geladeira, com a promessa de pagar quando recebermos.
Conseguimos o essencial. O resto vai se ajeitando com o tempo.

Arrumei um colchão emprestado e, nesse exato momento, escrevo deitado nele (no chão), tendo em minha frente, atrás do notebook, a lua emoldurada pela porta de vidro que dá para a sacada do meu quarto
Uma imagem inspiradora ao final de um dia cansativo.