Ontem, durante a tarde, eu estava deitado em casa,
recuperando-me de uma virose, quando recebi a notícia.
A Luana ligou com a voz embargada e me disse:
- Perdemos um colega...
- Com assim? Quem?
Perguntei.
- O Michel Vieira – continuou a Luana.
Nosso colega de turma da Acadepol, dois anos mais novo que
eu.
Entrou na Academia por força de liminar judicial e, por
conseqüente, havia assumido há apenas dez dias.
Apenas dez dias de trabalho na 3ª DHPP de Porto Alegre.
Embora não tivéssemos uma relação muito próxima, senti como
se fosse comigo.
Um dia antes ele havia postado no facebook uma foto com o
uniforme do DMLU, dizendo que estava indo varrer as ruas da cidade.
Logo pensei “Putz, ele não conseguiu entrar na Polícia
Civil”.
No outro dia, fiquei sabendo que era apenas um disfarce.
Já estava trabalhando, investigando.
Ontem, logo após o meio dia, estava na lancheria da família,
trabalhando com a mãe.
Dois indivíduos chegaram a anunciaram o assalto.
O que aconteceu a partir daí é mera especulação, mas
provavelmente ele reagiu.
Talvez por já ter passado por isso anteriormente.
Talvez pelo ímpeto de reação que todo policial tem.
Talvez por precipitação.
Isso não importa agora, afinal, nunca saberemos.
O que fica é o resultado.
Ele e a mãe foram mortos. Um dos autores do roubo também
morreu.
Com certeza fica o alerta para cada um de nós.
O sonho de ser polícia ficou para outro plano, para os que
crêem nele, ou simplesmente acabou, para os que não crêem.
Toda a luta judicial, todo empenho na academia, foi ceifado
por sete tiros.
Tiros disparados por alguém que não tinha os mesmo sonhos.
E cujos sonhos deverão ficar aprisionados por um bom tempo.
Em nosso íntimo, sabemos que será praticamente inevitável
perdermos colegas, seja por causas naturais ou violentas.
O que não esperamos é perdê-los tão cedo, em tão pouco tempo
e, ainda, de uma forma tão brutal.
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/policia/noticia/2013/01/mae-e-filho-policial-sao-mortos-a-tiros-em-porto-alegre-4018689.html