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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Deixou de SERVIR, mas continua a PROTEGER!

Texto escrito por Tiago Gomes*


Hoje, junto com vários colegas, passei por uma situação que não pretendia enfrentar tão cedo. 

O enterro de um colega. 

A perda de alguém que desfruta dos mesmos ideais, mesmos anseios e mesma motivação que eu, me fez pensar sobre a importância da profissão que escolhi.

A rotina da atividade policial faz com que acabemos, não raras vezes, nos esquecendo da importância da atenção e do cuidado quando estamos tanto trabalhando, quanto de folga.

Hoje, tenho certeza que muitos, assim como eu, pensaram no que deve ter acontecido para que o colega tenha tido a reação que teve. 

Nas nossas mentes recriou-se o cenário e muitos se imaginaram na mesma posição que ele ocupava quando do início da tragédia. 

Alguns pensaram talvez no mesmo comportamento, com um final diferente, outros em outro comportamento mas com o mesmo final; e até o mesmo comportamento com o mesmo final. 

Mas esses pensamentos não passam de pensamentos, imaginação, mas que a qualquer momento, podem tornar-se realidade.

Por isso, peço a todos cuidado e atenção, pois não desejo passar por essa situação tão cedo.

Por fim, deixo aqui a minha homenagem ao Michel, que nos acompanhou nesses 2 anos na busca pelo mesmo objetivo final, e que teve seu sonho interrompido por aquilo que nos dispomos a combater. 

Que ele agora deixe de nos SERVIR e passe exclusivamente a nos PROTEGER nessa nossa caminhada.





*Tiago Gomes é Inspetor de Polícia e está lotado na 2ª DHPP de Porto Alegre.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Perdendo um colega...


Ontem, durante a tarde, eu estava deitado em casa, recuperando-me de uma virose, quando recebi a notícia.
A Luana ligou com a voz embargada e me disse:

- Perdemos um colega...
- Com assim? Quem?  Perguntei.

- O Michel Vieira – continuou a Luana.
Nosso colega de turma da Acadepol, dois anos mais novo que eu.

Entrou na Academia por força de liminar judicial e, por conseqüente, havia assumido há apenas dez dias.
Apenas dez dias de trabalho na 3ª DHPP de Porto Alegre.

Embora não tivéssemos uma relação muito próxima, senti como se fosse comigo.
Um dia antes ele havia postado no facebook uma foto com o uniforme do DMLU, dizendo que estava indo varrer as ruas da cidade.

Logo pensei “Putz, ele não conseguiu entrar na Polícia Civil”.
No outro dia, fiquei sabendo que era apenas um disfarce.

Já estava trabalhando, investigando.
Ontem, logo após o meio dia, estava na lancheria da família, trabalhando com a mãe.

Dois indivíduos chegaram a anunciaram o assalto.
O que aconteceu a partir daí é mera especulação, mas provavelmente ele reagiu.

Talvez por já ter passado por isso anteriormente.
Talvez pelo ímpeto de reação que todo policial tem.

Talvez por precipitação.
Isso não importa agora, afinal, nunca saberemos.

O que fica é o resultado.
Ele e a mãe foram mortos. Um dos autores do roubo também morreu.

Com certeza fica o alerta para cada um de nós.
O sonho de ser polícia ficou para outro plano, para os que crêem nele, ou simplesmente acabou, para os que não crêem.

Toda a luta judicial, todo empenho na academia, foi ceifado por sete tiros.
Tiros disparados por alguém que não tinha os mesmo sonhos.

E cujos sonhos deverão ficar aprisionados por um bom tempo.
Em nosso íntimo, sabemos que será praticamente inevitável perdermos colegas, seja por causas naturais ou violentas.

O que não esperamos é perdê-los tão cedo, em tão pouco tempo e, ainda, de uma forma tão brutal.
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/policia/noticia/2013/01/mae-e-filho-policial-sao-mortos-a-tiros-em-porto-alegre-4018689.html