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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Levantamento de local de crime.


E a semana já se inicia pequena.
Semana passada foram apenas dois dias trabalhados.

Essa, da mesma forma, já que sexta-feira é ponto facultativo.
Ponto facultativo, leia-se: feriadão!

Esqueci de mencionar semana passada que o trabalho investigativo realizado no interior, e contado em outra postagem, rendeu um grande reconhecimento.
Recebemos um elogio, por escrito, que foi despachado para se tornar uma portaria de louvor.

Além da felicidade ante ao reconhecimento, e o estímulo, essas portarias contam um ponto na hora das promoções.
Apenas a título de conhecimento, cursos realizados via internet, geralmente pelo SENASP, rendem mais três. E pode-se realizar até cinco por ano.

Doação de sangue também rende um ponto.
Tudo isso vai acumulando e ajuda na hora de sair promovido.

Mas voltando ao trabalho, a noite foi agitada.
Mas descobri isso hoje.

Não fui acionado durante a noite.
Um homicídio na cidade e um duplo homicídio tentado no interior.

Durante a tarde fomos realizar o levantamento do local do duplo homicídio tentado.
Um lugar bem retirado, longe.

Fotografamos, medimos a distância entre pontos, coletamos alguns achados e retornamos.
Contando assim, parece tudo fácil, rápido e simples.

Porém, perdemos a tarde realizando isso.
Além da distância, o trabalho minucioso toma tempo.

Nem tudo se apresenta diante dos nossos olhos, como nos filmes.
Nem sempre estamos caminhando e “oh, um vestígio!”.

A montagem de cenas requer imaginação.
Alguns acontecimentos encontrados exigem muita imaginação.

As vezes não entendemos o motivos de algumas coisas estarem do jeito como estão, mas devemos trabalhar com elas daquela forma e buscar os possíveis motivos.
A conduta humana é muito diversificada.

Há uma infinidade de possibilidades e serem sopesadas.
E então acaba vindo a famosa linha de pensamento: “o que eu teria feito nessa situação?”

Algumas perguntas acabam sendo respondidas.
Algumas não.

Ao não serem respondidas, o verdadeiro trabalho inicia.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O interrogatório mais difícil até aqui.


Fim de semana chegando.
A semana passou voando, quase não parei.

Estou passando intacto pelo sobreaviso.
Ainda não fui acionado.

Talvez ele tenha me reservado algo para o fim de semana, quem sabe.
Pior de tudo é que acabo ficando empenhado, pois tenho de ficar na cidade.

Não poderei ir pra casa nesse fim de semana.
Hoje pela manhã fiquei às voltas para registrar ocorrência informando os objetos apreendidos ontem.

Depois etiquetar e entregar na Secretaria.
Isso deve ser feito sempre o quanto antes, pois nos exime de responsabilidade.

Enquanto estivermos com algo, somos responsáveis.
Depois de tudo lançado, etiquetado e entregue, uma preocupação a menos.

Acabei ficando um pouco no Plantão, substituindo colegas que foram conduzir um preso até o presídio.
No turno da tarde, participei do interrogatório mais difícil, demorado e detalhado desde que entrei em exercício.

Teve duração de mais ou menos três horas.
Ainda relacionado com os eventos investigados nessa semana.

Não fiz isso sozinho, claro, mas participei ativamente.
Havia muitos fatos a serem questionados, muitos detalhes.

Todos os tópicos foram respondidos, se a contento ou não, aí é outra história.
Algumas coisas evidenciaram, a meu modo de ver, um claro nervosismo.
O suor escorrendo do rosto do interrogado.
O cruzar de pernas incessante.
Os objetos da mesa que eram constantemente remexidos.
A oscilação da voz.
Enfim, vários elementos.
Mas nervosismo nem sempre que dizer que se está mentindo.
O ambiente policial, a situação toda, causa esse tipo de reação.
Pelo menos ele manteve a calma, pois achei que teríamos algum problema com isso.
Prevejo um grande caso, com muito a ser investigado ainda.

Depois disso, um passeio com o interrogado, para que ele nos mostrasse alguns lugares que havia mencionado.
Lugares identificados e fotografados.

Agora é por nossa conta.