Gostaria de saber como vocês foram na prova, o que acharam das provas, dificuldades tanto na prova quanto no deslocamento, hospedagem, localização do local de prova, entre outras considerações.
Se quiserem escrever um pouco mais e colocar entre as postagens, aceitarei de bom grado.
Grato a todos!
O quotidiano de um Policial Civil novato. Relatos sobre as novas experiências como policial e as dificuldades encontradas na nova cidade.
Mostrando postagens com marcador policiais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador policiais. Mostrar todas as postagens
domingo, 18 de agosto de 2013
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Abrindo mão de algumas coisas
Quando dizemos que abrimos mão de algumas coisas por causa da profissão, não estamos mentindo.Sabia que isso me afetaria em algum momento.
E esse momento chegou.
Depois de quatro anos afastado do principal festival de artistas amadores da América Latina, o ENART, tinha decidido voltar a participar e já havia passado pela fase Regional.
No entanto, as atividades profissionais acabaram adiando a participação para o ano que vem.
Faz parte.
Foi a primeira vez, mas certamente não será a última.
Estejam prontos, pois isso também vai acontecer com vocês.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Ser Policial - Vídeo
Deixo com vocês esse excelente vídeo de um acompanhamento policial com um belo texto.
Infelizmente não descobri a autoria de um ou outro, mas caso saibam, comentem e eu darei os créditos.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Discurso de formatura - Vídeo
Compartilho com vocês um vídeo do meu discurso de formatura da ACADEPOL 2012 (finalmente).
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Reação à abordagem policial
Trago um vídeo pra vocês.
Tanto faz olhar o vídeo antes ou depois de ler a postagem.
Deixando de lado a agressão ao Carpinejar, a atitude do agressor ao ser abordado pelo Policial é mais comum do que vocês imaginam.
O cara é abordado e age como se nem fosse com ele, como se não precisasse obedecer à abordagem, possivelmente se achando muito superior para ser detido por um Policial Militar.
Pior é que esse tipo de reação é ainda mais comum com pessoas mais instruídas, que, em tese, deveriam entender e colaborar com o trabalho Policial.
Pessoas ditas "instruídas" querem argumentar, sempre dizem que "tem seus direitos", não necessariamente elencando quais deles querem naquele momento.O cara é abordado e age como se nem fosse com ele, como se não precisasse obedecer à abordagem, possivelmente se achando muito superior para ser detido por um Policial Militar.
Pior é que esse tipo de reação é ainda mais comum com pessoas mais instruídas, que, em tese, deveriam entender e colaborar com o trabalho Policial.
É lógico que sabemos, como Policiais, que a pessoa abordada/detida/presa tem seus direitos.
Mas nós temos o dever de fazer nosso trabalho e é claro que isso coloca as pessoas em uam situação incômoda, o que não lhes dá o aludido direito a serem insucetíveis à lei.
Tirem suas proprias conclusões.
http://videos.clicrbs.com.br/rs/zerohora/video/video-minuto/2013/08/video-mostra-agressao-fabricio-carpinejar/33791/
http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/08/fabricio-carpinejar-e-agredido-por-pedestre-durante-gravacao-de-tv.html
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Uma hora, isso ia acontecer...
Na quinta-feira passada, entre outras atividades, fomos
cumprir um mandado de busca e apreensão na casa de um investigado pro tráfico.
Sabemos que ele trafica, mas precisamos provar.
Reviramos toda a casa, procuramos nos lugares mais
improváveis.
No entanto, não encontramos nada.
Ele é aquele mesmo do sorriso debochado, que eu referi em
outra postagem tempos atrás.
Na saída, tivemos que agüentar o mesmo sorriso debochado.
Mas uma hora ele cai.
Na sexta-feira, passei por situações que imaginei que
passaria em algum momento.
Íamos para casa, perto do meio dia, um colega novato, um
estagiário e eu.
Quando cruzávamos por uma praça conhecida da cidade,
avistamos um rapaz acendendo um baseado.
O almoço iria esperar.
O colega e eu decidimos abordá-lo.
Voltamos, abordamos, revistamos e o identificamos.
Como não possuía mais nada, o conduzimos até a Delegacia
para o registro por posse de entorpecente.
Fomos a pé mesmo.
Ele utilizava muletas, por isso não o algemamos, apenas o
acompanhamos de perto.
Realizamos o registro com o plantonista e fomos embora.
À noite, fora do expediente, estava eu saindo do condomínio quando
notei a aproximação de um homem próximo ao portão.
Já fiquei prestando atenção nele.
Quando fechei o portão e ele me viu, veio em minha direção
de um jeito estranho e me disse “o meu, me arruma dez pila”.
Imediatamente levei a mão à cintura, mas não saquei a arma.
Disse a ele que não tinha nada e o mandei embora.
Ele insistia e o cheiro de cachaça ficava evidente.
Diante da insistência e desconfiado da atitude dele,
levantei a camiseta e empunhei a arma, mas não a saquei.
Vi que ele percebeu e disse “o meu, não sou ladrão nem
assaltante!”.
Mas eu ainda tinha minhas dúvidas, então continuei o
mandando embora, pois não o conhecia e não lhe daria dinheiro.
Desviei dele e fui até o carro, sempre cuidando a
movimentação dele, mas ele não insistiu mais.
Consegui contornar a situação de uma forma relativamente tranqüila,
embora tensa por momentos.
Talvez se não fosse policial, não ficaria tão tenso, sei lá.
Mas o fato de ficarmos o tempo todo tomando cuidado,
trabalharmos diariamente com o crime, nos deixe assim.terça-feira, 4 de junho de 2013
Dias diferentes
Ontem e hoje foram dias bem distintos.
Ontem trabalhei muito, mas hoje o dia foi mais tranqüilo.
Ontem dediquei-me a esclarecer todas as dúvidas acerca das “Interceptações
Telefônicas”.
Liguei para as operadoras e percebi que cada uma delas
possui seu próprio modo de cadastrar o receptor das ligações em um sistema
chamado VIGIA.
Há o sistema VIGIA em cada operadora e ele é utilizado para
que tenhamos acesso a diversas informações durante as escutas.
Outra informação que eu desconhecia é o fato de que após
achegada do CD com as conversações, deve ser solicitada nova senha para acesso.
Acabei elaborando um passo a passo de todo o procedimento,
do início ao fim, de todas as providências a serem tomadas, para que todos
tenham acesso.
Nem todos fazem escutas, mas não se pode excluir que se vá
precisar algum dia.
Também não seria sensato amealhar diversas informações e não
compartilhá-las.
Hoje, como disse, o dia foi mais tranqüilo.
Não trabalhei com nada mais específico.
Fiz diversas pequenas atividades, principalmente organizando
e juntando documentos em procedimentos, já que não pude fazer isso ontem.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Novidades!
E a semana começou com novidades!
Devido à grande quantidade de novos procedimentos nos
cartórios, e muitos com prazo, fui designado para auxiliar os cartórios por tempo
indeterminado.
Hoje mesmo já recebi o primeiro procedimento, um inquérito
policial originado de um flagrante de tráfico de drogas.
Confesso que fiquei bem perdido.
Primeiro separei o flagrante e as demais peças em duas vias.
Juntei algumas peças que ainda faltavam e eram um pouco mais
simples.
Deixei as mais complexas para amanhã.
Amanhã oficio o IGP para remeter parte da droga para exame
pericial.
Oficio também o DENARC para remeter o restante da droga.
Não são procedimentos tão complexos, mas não pude fazê-los
hoje em virtude de ter a droga em minha guarda apenas no fim do dia.
Pesei-a e fotografei na balança.
No restante do dia, auxiliei em outros procedimentos.
Vamos ver como me sairei agora fazendo o papel quase que
exclusivo de escivão.domingo, 12 de maio de 2013
Semana corrida
Voltando depois de alguns dias sem computador.
A semana foi bem movimentada, então vamos tentar fazer um
retrospecto.
Ainda na sexta-feira passada, substituí um colega no
Plantão.
Durante o dia, movimentado, mas a noite foi calma.
A madruga foi agitada.
Duas ocorrências aparentemente simples, mas que tomaram
muito tempo.
Uma localização de uma menor que constava no sistema como
desaparecida.
Isso é relativamente comum.
As pessoas registram o sumiço e depois, quando a pessoa
volta, não vão registrar a localização.
O registro é simples, mas localizar um responsável na
madrugada não é muito simples.
Quando terminei e deitei um pouco, por volta de 02h30min,
logo chegaram duas guarnições da brigada militar com um preso por desacato,
resistência e desobediência.
Imediatamente o coloquei na cela, algemado mesmo, já que
estava muito agitado.
E aí foi um sacrifício para convencê-lo a se aproximar da
grade para ser desalgemado.
Ai ele começou a nos ofender, nos chamando de todos os
impropérios possíveis e a chutar a grade.
Pela extrema agitação, acredito que não estivesse apenas
alcoolizado.
Fosse minha a algema e eu teria deixado, mas como era de um
dos policiais militares, acredito que ele quisesse de volta.
Imaginei que seria temerário entrar na cela e desalgemá-lo.
Provavelmente conseguiríamos, mas exporíamos a nossa
integridade física e a dele (mais a dele) e eu não estava a fim de responder
nada por enquanto.
Então um dos policiais ficou conversando com ele, para acalmá-lo,
até conseguir retirar a algema.
Por precaução, filmamos o preso chutando a grade e nos
desacatando, para nossa própria segurança, afinal, ele deve ter ficado
machucado.
Também fiz uma ocorrência bem completa e certifiquei todo o
ocorrido.
Na segunda-feira, iniciou meu sobreaviso.
E já no primeiro dia, durante a noite, fomos acionados.
Um acidente com vítima fatal em uma rodovia.
Quando chegamos, a Polícia Rodoviária Federal já havia
tomado todas as providências relacionadas ao levantamento do local e remoção da
vítima.
Apenas fotografamos o local e fizemos um relatório. O
relatório da PRF foi acostado posteriormente.
Na quinta-feira, deflagramos a “Operação Abigeatus” na
cidade.
Foco principal no combate ao abigeato, mas realizamos
inspeções em todos os estabelecimentos comerciais da cidade que vendem derivados
de carne.
Também vistoriamos datas de validade, produtos procedentes
de contrabando e/ou descaminho, lotes de leite com suspeita de adulteração e
carne não inspecionada.
Todos os estabelecimentos com alguma irregularidade tiveram
seus donos ou responsáveis autuados em flagrante.Começamos antes das 6h e só paramos depois da meia noite.
Um dia extremamente agitado.
Embora valha muito a pena e seja bem interessante, é realmente muito cansativo.
Operação e festa são legais, mas ficam melhores na casa dos outros (piadinha).
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Desabafo - por Fernanda Catafesta
Quando era advogada também acreditava que meus clientes eram
vítimas da sociedade, pois não se dava oportunidade para eles.
Mas agora eu sou policial e passei a ouvir as vítimas dos meus ex-clientes, em especial as vítimas de roubo ou seus familiares, quando ocorre um latrocínio.
Como agir? Como explicar?
Sim, não devemos nos igualar a eles em sua forma de agir. Mas, por que demos super-garantias a eles?
Por que não nos preocupamos com suas vítimas?
Serei chamada de reacionária, porque agora estou do outro lado.
Então antes de falarem em humanidade e dignidade, pensem no outro lado.
Se para vocês o clichê é a redução da maioridade penal, para mim o clichê é ouvir que são excluídos pela sociedade, que reduzir a maioridade penal não resolve, endurecer as penas e fazê-las cumprir também não resolve.
Outra coisa, a punição que eu espero que seja cumprida é para todos, ok.
Jamais seriam recuperados pelo fato de serem colocados
dentro de um presídio sem qualquer condição, ferindo o princípio mais básico
que é o da dignidade.
Mas agora eu sou policial e passei a ouvir as vítimas dos meus ex-clientes, em especial as vítimas de roubo ou seus familiares, quando ocorre um latrocínio.
E nada na vida é mais frustrante do que fazer uma pesquisa do indivíduo que a
pessoa reconheceu como o autor do fato e ver que em um ano ele entrou e saiu do
presídio 2 ou 3 vezes, sendo que em todas foi por um flagrante de roubo (e sim
amigos, 2 ou 3 crimes que foram vistos, nem contamos os que ele praticou e não
serão elucidados).
E como explicar isso para a vítima?
Ela que teve uma arma apontada pra sua cabeça e foi ameaçada
de morte porque demorou dois segundo para entregar a chave do carro, pois seu
filho estava dormindo no banco de trás e queria tirá-lo.
Teve sua casa invadida, foi amarrado, agredido até quebrarem
seu nariz, trincarem suas costelas e viu seus filhos e pais idosos também serem
agredidos, suas roupas, eletrodomésticos e outros objetos, todos comprados com
o seu trabalho, serem levados em questão de minutos por eles.
E no caso do latrocínio, quando a pessoa demorou os dois
segundos para entregar a chave e o excluído pela sociedade puxou o gatilho e
eliminou o sustento de uma família inteira.
Como agir? Como explicar?
Sim, não devemos nos igualar a eles em sua forma de agir. Mas, por que demos super-garantias a eles?
Por que não nos preocupamos com suas vítimas?
Vocês não lidam com a escória.
Vocês não tem que ouvir e digitar um depoimento em que o
assaltante descreve com toda a calma e frieza o seu modo de agir para roubar um
carro, amarrar uma pessoa e executá-la.
Ou ainda, perguntar qual a profissão e ele simplesmente
dizer: nunca trabalhei, sempre roubei.
Serei chamada de reacionária, porque agora estou do outro lado.
Mas queridos, ninguém aqui prega a agressão física, o que se
pede é cumprimento de leis ou o endurecimento delas, a certeza da punição.
Porque esse rapaz que tem quase 30 anos e disse que nunca
trabalhou, somente roubou o faz pela certeza que no instante em que for pego em
flagrante sairá da prisão em seguida e voltará a sua rotina.
Enquanto a vítima ficará traumatizada para o resto da vida.
Então antes de falarem em humanidade e dignidade, pensem no outro lado.
Se para vocês o clichê é a redução da maioridade penal, para mim o clichê é ouvir que são excluídos pela sociedade, que reduzir a maioridade penal não resolve, endurecer as penas e fazê-las cumprir também não resolve.
Outra coisa, a punição que eu espero que seja cumprida é para todos, ok.
Quem bebe e dirige, playboy que vende cocaína para manter
seu elevado padrão de vida e para pé de chinelo que rouba, mata e estupra,
porque ninguém é coitadinho.
Fez a m*, vai pagar. Não importa a classe social, rico ou
pobre.
Certeza que vou me arrepender ao escrever este texto e vou apagar, mas a
paciência chegou ao limite com os intelectuais e arautos do saber que defendem
os “excluídos” menosprezando a inteligência de quem tem opinião contrária a
sua.
Filho, tenho faculdade tanto quanto você, passei em concurso
e sei interpretar texto.
Opinião é para ser dada quando se achar conveniente e também
DEVE ser respeitada, sem atacar o argumentador, mas sim o argumento.
terça-feira, 16 de abril de 2013
Um susto e um caso delicado
Tomei um grande susto hoje.
Fui procurar uma apreensão que eu havia deixado guardada em
um armário, para devolvê-la, e não a encontrei.
Olhei o armário duas vezes e nada.
Perguntei para os colegas e ninguém sabia de nada.
A apreensão era bem pequena, aproximadamente do tamanho de
um chip de celular, e estava dentro de um saco plástico, devidamente
identificada com o número da ocorrência.
Resumindo, não estava no lugar e podia caber em qualquer
outro lugar.
Isso dava uma margem bem grande de lugares pra procurar.
Difícil descrever o que passou pela cabeça.
O probatório, punições, incômodos, etc.
Falei com o chefe da investigação e ele mandou eu procurar
de novo onde havia guardado.
Voltei no armário e tirei tudo o que tinha lá dentro.
Olhei dentro de cada coisa que estava lá.
De repente, não entendo até agora como, achei o saco
plástico com a apreensão.
Um misto de alívio e euforia tomou conta.
Eu havia olhado duas vezes e não havia encontrado, mas lá
estava, num canto, o saco plástico embolado.
Tomarei mais cuidado com apreensões pequenas.
Apesar de ser cuidadoso, uma série de mudanças (de sala, de
móveis) contribuiu para isso.
Passado o susto, o dia seguiu tranqüilo, até que fui
solicitado pelo Plantão.
Tarefa: buscar uma menina e a mãe dela em casa e levá-las ao
PML.
O fato: possível abuso.
Convidei uma colega que tem filha e já foi professora.
Imaginei que, dessa forma, ela teria mais sensibilidade para
lidar com a situação.
Mais do que o normal, claro, já que a maioria das mulheres,
senão todas, se saem melhor do que nós, homens, em situações como essas.
Fomos até a casa e nos deparamos com um lugar muito modesto,
para dizer o mínimo.
A casa de madeira era um pouco maior do que um banheiro de
uma casa de tamanho médio.
Falamos com a mãe da menina e explicamos que deveríamos
levá-las.
Ela concordou de pronto.
Quando chegamos ao PML fomos informados de que o médico
plantonista não estava e só poderia atender mais tarde.
Avisamos o Plantão, para saber exatamente o que fazer, e foi
determinado que levássemos as duas de volta para casa.
Por ver o estado em que estava a menina, não me dirigi a ela
nenhuma vez, embora a puxasse assunto.
Mas foi inevitável perceber como ela estava com medo.
Parecia acuada, agarrada às pernas da mãe e pedindo colo a
todo o momento.
É uma situação tocante, na qual não há muito de nossa parte
a ser feito, a não ser o nosso trabalho e, claro, o maior cuidado possível no
trato das pessoas em casos assim.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Munição nova.
É interessante como não temos domínio sobre o trabalho.
Por vezes organizamos o que iremos fazer.
Outras vezes, somos conduzidos por situações que se
apresentam, desde as mais simples, até algumas mais complicadas, como crimes
graves que ocorrem.
Situações que se apresentam inesperadamente e acabam com o
planejamento do dia, desde que este não seja mais importante, claro.
Hoje foi um dos dias em que consegui controlar o trabalho
durante todo o dia.
E foi um dia tranqüilo.
Ainda durante a manhã, ouvi uma vítima e oficiei
representando por um MBA.
O resto do dia foram diligências diversas por toda a cidade,
colhendo informações aqui e ali e reafirmando afinidade para futuras
informações.
No final do dia recebi novas munições depois de seis meses.
Quantas? Dez.
Sim, dez munições.
É estranho, já que os três carregadores da pistola, entregues junto com ela, suportam
pelo menos quinze munições.
Quando tomei posse, recebi uma caixa com 50 munições.
Destas, gastei 14 treinando e me adaptando à pistola.
É pouco, eu sei.
Mas com o preço das munições não é fácil de ficar dando
muitos tiros por conta própria.
Espero um momento oportuno para recarregar os cartuchos e poder
voltar a atirar.
Até lá, tomara que não seja preciso gastar minhas poucas
munições.
Se for, que eu seja preciso e econômico.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Dia movimentado
Terça-feira.
Ser abordado por duas viaturas, mesmo que discretas, com curiosos aglomerando-se mesmo que de forma distante e olhando para tudo o que se passava.
Como esperado, o dia foi agitado.
Realizamos um auto de reconhecimento pessoal.
Como é algo que exige praticamente um cerimonial e ocupa
grande parte dos colegas, juntamos vários procedimentos e fizemos vários
reconhecimentos.
Ainda pela manhã tentei tomar o depoimento de várias
vítimas, mas consegui contato com poucas e nem todas se disponibilizaram em
comparecer.
Lição para a próxima: organizar-me melhor e de forma
antecipada.
Depois de findo o reconhecimento, saí com outro colega em
uma viatura discreta diligenciar em alguns bairros da cidade.
Ao passar por um conhecido ponto de venda de drogas,
percebemos que um veículo parou em frente ao lugar, alguém desceu, voltou e o
veículo imediatamente saiu.
Cortamos caminho, pegamos uma rua principal, enquanto o
veículo estava logo atrás.
Decidimos abordá-lo.
Como percebemos que havia quatro pessoas no carro, ligamos e
pedimos auxílio de outros dois colegas.
Marcamos um ponto de abordagem.
Ao nos aproximarmos do ponto de abordagem, ligamos a sirene
da viatura discreta e fizemos sinal para que o veículo estacionasse.
Os outros colegas, que esperavam mais a frente, logo
chegaram para auxiliar.
Determinamos que todos saíssem do veículo e os revistamos.
Enquanto um colega conversava com o motorista, revistamos o
carro.
Olhamos todos os lugares que poderiam esconder algum
invólucro com droga.
O primeiro lugar em que olhei foi dentro de uma carteira de
cigarros que estava no painel, pois é um esconderijo comum.
Não encontramos nada.
Como o motorista estava sem habilitação e sem documentos,
chamamos a Brigada Militar para notificá-lo.
Assim que eles chegaram, saímos do local e deixamos tudo a
cargo deles.
Fiquei pensando que, muito embora o senso comum diga que ser
usuário “não dá nada” (e realmente não dê mesmo), no grande constrangimento que
era ser abordado pela polícia.
Bom, pelo menos eu ficaria extremamente constrangido, não
sei se esse é um sentimento comum.Ser abordado por duas viaturas, mesmo que discretas, com curiosos aglomerando-se mesmo que de forma distante e olhando para tudo o que se passava.
Acredito que mesmo que uma abordagem dessas não cause muitos
danos legais àquele que se define como usuário, causa um constrangimento
considerável, principalmente tratando-se de uma cidade pequena ou média, onde
as pessoas se conhecem.
Mas enfim, são apenas divagações, já que, provavelmente,
eles não pensem assim.
Quem tem muito a perder pensa em como se portar, no que se
pode ou não fazer.
Quem não tem, apenas faz.quinta-feira, 4 de abril de 2013
Novo concurso autorizado!
Como muitas pessoas me perguntam sobre o concurso da Polícia Civil aqui no Estado, posto aqui uma ótima notícia:
"O governador Tarso Genro assinou, na tarde desta quinta-feira, a autorização para concurso público da Polícia Civil. Serão 350 vagas para inspetor e 350 para escrivão. Os primeiros 400 devem ser chamados no primeiro semestre de 2014 e o restante, até o final do ano.
O valor do salário inicial e os requisitos necessários para concorrer às vagas ainda não foram divulgados.
Os novos policiais se somam aos outros 2 mil soldados da Brigada Militar que serão contratados também em 2014. Até o final de abril, outros 2,5 mil agentes da BM, selecionados em concurso realizado no ano passado, chegam às ruas de todo o Estado.
A assinatura ocorreu no gabinete do governador, no Palácio Piratini, e contou com as presenças do chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, do subchefe de Polícia, Ênio Gomes de Oliveira, e do comandante-geral da Brigada Militar, Fábio Duarte Fernandes".
Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/policia/noticia/2013/04/governo-autoriza-concurso-para-700-policiais-civis-4095861.html
"O governador Tarso Genro assinou, na tarde desta quinta-feira, a autorização para concurso público da Polícia Civil. Serão 350 vagas para inspetor e 350 para escrivão. Os primeiros 400 devem ser chamados no primeiro semestre de 2014 e o restante, até o final do ano.
O valor do salário inicial e os requisitos necessários para concorrer às vagas ainda não foram divulgados.
Os novos policiais se somam aos outros 2 mil soldados da Brigada Militar que serão contratados também em 2014. Até o final de abril, outros 2,5 mil agentes da BM, selecionados em concurso realizado no ano passado, chegam às ruas de todo o Estado.
A assinatura ocorreu no gabinete do governador, no Palácio Piratini, e contou com as presenças do chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, do subchefe de Polícia, Ênio Gomes de Oliveira, e do comandante-geral da Brigada Militar, Fábio Duarte Fernandes".
Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/policia/noticia/2013/04/governo-autoriza-concurso-para-700-policiais-civis-4095861.html
Lugar de bandido é na cadeia - por Onyx Lorenzoni
Por incrível que possa parecer, essa frase é polêmica no Brasil. Anos e anos de ideário de esquerda construíram na cabeça de muitos brasileiros que bandido é uma "vítima da sociedade". Que ele somente entrou na criminalidade por falta de oportunidades. Pois bem, façamos uma breve reflexão.
De acordo com os dados oficiais, vivemos uma oferta de emprego em patamares elevados. De onde se deveria concluir o seguinte: se há empregos, então há oportunidades, logo a criminalidade no Brasil deveria estar diminuindo. Mas, não é isso que se vê. A criminalidade aumenta. E mais grave. A crueldade aumenta. Isso acontece porque a leitura do problema sempre foi equivocada.
Considerar que pobreza e falta de oportunidade levam a criminalidade nos levaria a concluir que todo pobre é bandido. Nada mais absurdo. Um cidadão de bem não admitiria cometer crimes, mesmo frente a grandes dificuldades. Criminalidade tem a ver com questões morais de caráter pessoal.
O problema da segurança pública por certo tem raízes sociais e culturais, mas seu combate diz respeito a como o governo encara o problema e como ele o enfrenta. Se formos movidos pelo sentimento de condescendência em relação ao criminoso, estaremos sendo omissos e impiedosos em relação às verdadeiras vítimas do crime: o cidadão de bem.
Há uma farta quantidade de exemplos de países que venceram a batalha contra sua criminalidade. E nem precisamos recorrer a exemplos norte-americanos como a "Tolerância zero" implantada em Nova York. A Colômbia e o Chile venceram a violência em seus países. E como o fizeram? Fizeram com polícia, bem treinada, bem paga e bem equipada.
Falar em investir na polícia traz calafrios em muita gente, mas nós temos que decidir de que lado ficar. Ou seremos uma sociedade onde a polícia faz a defesa das pessoas, das propriedades e mantém a ordem. Ou vamos nos acomodar em nossas casas, dando as costas a estes profissionais e apenas nos queixando quando passamos a fazer parte das estatísticas da violência.
Outros pontos são vitais para o combate a violência. O controle das fronteiras para evitar que armas e drogas entrem em nosso país, diminuindo assim o potencial ofensivo das quadrilhas.
O uso da inteligência policial para desarticular as quadrilhas e a construção de presídios. Nenhuma dessas ações vêm sendo tomada de maneira efetiva no Brasil e os governos estaduais lamentavelmente não têm recursos necessários para fazer isso.
Construir presídios é dar condições dignas para que os apenados cumpram suas penas. Investir e treinar a polícia não é apoiar a truculência, é qualificar os profissionais que arriscam suas vidas por nós.
Os investimentos em segurança pública são um recado claro e direto para os criminosos de que o Estado garantirá a ordem e que o crime será combatido com rigor.
Enquanto o sentimento de impunidade continuar a ser alimentado pela incompetência do Estado a criminalidade continuará a assombrar as famílias brasileiras em todos os cantos do país.
Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2013/03/27/artigo-lugar-de-bandido-e-na-cadeia/
De acordo com os dados oficiais, vivemos uma oferta de emprego em patamares elevados. De onde se deveria concluir o seguinte: se há empregos, então há oportunidades, logo a criminalidade no Brasil deveria estar diminuindo. Mas, não é isso que se vê. A criminalidade aumenta. E mais grave. A crueldade aumenta. Isso acontece porque a leitura do problema sempre foi equivocada.
Considerar que pobreza e falta de oportunidade levam a criminalidade nos levaria a concluir que todo pobre é bandido. Nada mais absurdo. Um cidadão de bem não admitiria cometer crimes, mesmo frente a grandes dificuldades. Criminalidade tem a ver com questões morais de caráter pessoal.
O problema da segurança pública por certo tem raízes sociais e culturais, mas seu combate diz respeito a como o governo encara o problema e como ele o enfrenta. Se formos movidos pelo sentimento de condescendência em relação ao criminoso, estaremos sendo omissos e impiedosos em relação às verdadeiras vítimas do crime: o cidadão de bem.
Há uma farta quantidade de exemplos de países que venceram a batalha contra sua criminalidade. E nem precisamos recorrer a exemplos norte-americanos como a "Tolerância zero" implantada em Nova York. A Colômbia e o Chile venceram a violência em seus países. E como o fizeram? Fizeram com polícia, bem treinada, bem paga e bem equipada.
Falar em investir na polícia traz calafrios em muita gente, mas nós temos que decidir de que lado ficar. Ou seremos uma sociedade onde a polícia faz a defesa das pessoas, das propriedades e mantém a ordem. Ou vamos nos acomodar em nossas casas, dando as costas a estes profissionais e apenas nos queixando quando passamos a fazer parte das estatísticas da violência.
Outros pontos são vitais para o combate a violência. O controle das fronteiras para evitar que armas e drogas entrem em nosso país, diminuindo assim o potencial ofensivo das quadrilhas.
O uso da inteligência policial para desarticular as quadrilhas e a construção de presídios. Nenhuma dessas ações vêm sendo tomada de maneira efetiva no Brasil e os governos estaduais lamentavelmente não têm recursos necessários para fazer isso.
Construir presídios é dar condições dignas para que os apenados cumpram suas penas. Investir e treinar a polícia não é apoiar a truculência, é qualificar os profissionais que arriscam suas vidas por nós.
Os investimentos em segurança pública são um recado claro e direto para os criminosos de que o Estado garantirá a ordem e que o crime será combatido com rigor.
Enquanto o sentimento de impunidade continuar a ser alimentado pela incompetência do Estado a criminalidade continuará a assombrar as famílias brasileiras em todos os cantos do país.
Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2013/03/27/artigo-lugar-de-bandido-e-na-cadeia/
terça-feira, 26 de março de 2013
Dias passando rapidamente
A investigação é interessante.
Tem dias em que as coisas não “engrenam”.
Por mais que corramos atrás, não conseguimos levantar muitas
coisas.
Outros dias, tudo flui naturalmente.
Algumas coisas acabam “caindo no nosso colo”.
Durante a tarde, ouvimos uma vítima de roubo e ela nos
passou muitas características do autor.
Mostramos fotos, mas a vítima não reconheceu nenhuma.
Andamos pelas proximidades do local, mas não vimos ninguém
com aquelas características.
Vimos imagens de câmeras de segurança, mas também não o
reconhecemos.
Seguimos, então, fazendo outras tarefas.
No meio da tarde, auxiliamos na realização de um auto de
reconhecimento pessoal relativo a outro roubo, com o autor preso em flagrante.
Como havia mais dois presos, totalizando três, foi preciso
apenas dois coadjuvantes e duas testemunhas para completar o exigido pela lei.
Quando levávamos os presos de volta para a cela, percebi meu
colega fazendo sinais e apontando para um dos presos.
Imediatamente lembrei dos detalhes dados pela vítima que
ouvimos horas antes, do outro roubo.
Eram os mesmo detalhes.
Fotografamos os três presos.
De posse das imagens, levamos até a vítima para ver se ela
reconhecia.
Bingo!
Era ele mesmo.
O reconhecimento por fotografia ficou para ser formalizado
amanhã de manhã.
Quando chegamos da rua, um flagrante de tráfico esperava
nosso auxílio.
Dois colegas abordaram um grupo de indivíduos na rua, a
maioria menor de idade, e encontraram o entorpecente.
Todos conduzidos para a Delegacia.
Cada colega ouviu um dos detidos, para agilizar o andamento
das coisas.
Saí da Delegacia por volta das 19h.
Ontem realizamos um trabalho de campo durante boa parte do
dia.
De posse de uma foto de três suspeitos de estelionato, fomos
de hotel em hotel na cidade para verificar se eles não haviam se hospedado na
última semana.
Tudo isso em função da prisão deles em uma cidade vizinha e
da suspeita de golpes aqui.
Além disso, eles não são naturais daqui.
Muito trabalho. Os dias passam rapidamente.sábado, 23 de março de 2013
Pranto - por Marcelo Arigony
Hoje eu vou chorar. Vou me dar o luxo de chorar.
Depois de 55 dias, eu vou poder chorar.
Vou chorar pela minha prima e pelos meus tios.
Vou chorar pelos meus alunos.
Vou chorar por todos os 241 inocentes que perderam suas vidas quando só queriam se divertir.
Vou chorar pelos familiares das vítimas, que hoje têm suas casas vazias.
Vou chorar pelas pessoas próximas, que sofreram caladas comigo por 55 dias, me apoiando até este momento.
Vou chorar pelos especialistas em segurança que nos criticaram diuturnamente.
Vou chorar pelas pessoas inescrupulosas que criaram fatos depreciativos para macular minha imagem.
Vou chorar por covardes que forjaram denúncias anônimas contra minha pessoa porque nem tiveram peito de assinar por si próprios.
Vou chorar por esses que perderam dias e dias vasculhando minha vida em busca de fatos depreciativos.
Vou chorar pelos que tentaram imputar a mim gestão política de uma investigação técnica e acompanhada publicamente.
Vou chorar por pessoas nefastas com interesses políticos que me criticaram imputando exatamente a conduta espúria que pautava o seu agir.
Vou chorar por todos que tentaram eximir-se de suas responsabilidades.
Mas vou chorar também de alegria.
Vou chorar de alegria por ter conseguido dar as respostas que de mim eram esperadas.
Vou chorar também de alegria pelos grande amigos que fiz nesses dias tristes.
Vou chorar de alegria pelo reconhecimento público do nosso esforço e dedicação.
Vou chorar de alegria porque talvez nosso trabalho previna futuras tragédias.
Vou chorar de alegria porque, a partir desse fato, as pessoas passarão a ser mais responsáveis com suas atribuições.
Por fim, vou chorar porque tive tempo hoje de lembrar que também sou humano, tenho minhas falhas e fragilidades.
Vou me dar o luxo de chorar porque hoje eu desabei.
MARCELO ARIGONY - Delegado de Polícia Regional de Santa Maria
Depois de 55 dias, eu vou poder chorar.
Vou chorar pela minha prima e pelos meus tios.
Vou chorar pelos meus alunos.
Vou chorar por todos os 241 inocentes que perderam suas vidas quando só queriam se divertir.
Vou chorar pelos familiares das vítimas, que hoje têm suas casas vazias.
Vou chorar pelas pessoas próximas, que sofreram caladas comigo por 55 dias, me apoiando até este momento.
Vou chorar pelos especialistas em segurança que nos criticaram diuturnamente.
Vou chorar pelas pessoas inescrupulosas que criaram fatos depreciativos para macular minha imagem.
Vou chorar por covardes que forjaram denúncias anônimas contra minha pessoa porque nem tiveram peito de assinar por si próprios.
Vou chorar por esses que perderam dias e dias vasculhando minha vida em busca de fatos depreciativos.
Vou chorar pelos que tentaram imputar a mim gestão política de uma investigação técnica e acompanhada publicamente.
Vou chorar por pessoas nefastas com interesses políticos que me criticaram imputando exatamente a conduta espúria que pautava o seu agir.
Vou chorar por todos que tentaram eximir-se de suas responsabilidades.
Mas vou chorar também de alegria.
Vou chorar de alegria por ter conseguido dar as respostas que de mim eram esperadas.
Vou chorar também de alegria pelos grande amigos que fiz nesses dias tristes.
Vou chorar de alegria pelo reconhecimento público do nosso esforço e dedicação.
Vou chorar de alegria porque talvez nosso trabalho previna futuras tragédias.
Vou chorar de alegria porque, a partir desse fato, as pessoas passarão a ser mais responsáveis com suas atribuições.
Por fim, vou chorar porque tive tempo hoje de lembrar que também sou humano, tenho minhas falhas e fragilidades.
Vou me dar o luxo de chorar porque hoje eu desabei.
MARCELO ARIGONY - Delegado de Polícia Regional de Santa Maria
quarta-feira, 20 de março de 2013
Seis meses como Policial.
Completo, nesses dias, seis meses atuando como policial.
Não sei ao certo que dia começo a contagem.
A posse foi em no dia 19 de setembro. O exercício, dia 21 de setembro.
Na dúvida, comemorarei dia 20.
Descobri que seis meses é muito e é pouco.
Explico.
É muito tempo de afastamento dos amigos que fiz na Academia de Polícia.
Mas é pouco tempo para ter segurança total no que faço.
Hoje, logicamente, me sinto mais “polícia” do que há seis meses.
Sinto segurança em coisas que não tinha há um ou dois meses.
Percebo que a segurança, certamente, é um sentimento construído com o tempo.
Hoje leio textos que escrevi quando comecei a trabalhar e percebo que algumas coisas nem são mencionadas nos textos atuais, pois já se tornaram normais. As faço sem perceber.
Cada dia, cada semana, uma experiência nova, um cuidado a mais a ser tomado.
A cada erro, próprio ou dos outros, um aprendizado a não ser repetido.
Se não nos é permitido errar uma vez, que dirá duas.
Por vezes ainda me sinto um novato, por vezes não.
Percebo que mudei como pessoa.
Não sei se para melhor ou pior, afinal, esse tipo de julgamento é relativo.
Sei apenas que me sinto mais seguro, mais independente, mais experiente e que ainda não perdi minha indignação com injustiças.
É sabido que todos saem do sério ao deparar-se com injustiças.
Pessoas “comuns” recebem pequenas doses de indignação e o passar dos dias surge como um paliativo.
Policiais recebem doses massivas todos os dias, e o passar destes não ameniza os efeitos.
Talvez isso passe com o tempo, afinal, tudo é adaptação.
Com isso, quero dizer que hoje entendo atitudes que não entendia quando não era policial.
Isso não quer dizer que eu defenda e justifique todas elas, apenas que entendo.
Mas talvez seja essa capacidade de indignação que nos mova, dia após dia, na busca do ponto de equilíbrio do convívio social, mesmo diante de todas as adversidades.
Além da indignação, me sinto na obrigação de ser mais honesto do que era, mas educado do que era.
Acredito que temos o dever de fazer sempre o que é certo.
Por certo, leia-se legal e moralmente, sem esquecer o bom senso.
Mas todo o exposto não passa de mera suposição de um policial novato.
Mas que a experiência que há de vir, não faça com que eu esqueça isso.segunda-feira, 18 de março de 2013
Homicídio no fim do sobreaviso
Ontem, enquanto eu já pensava em ir dormir e agradecia pela
semana de sobreaviso tranqüila, recebi uma ligação.
Meu colega comunicava que ocorrera um homicídio.
Era exatamente meia noite.
Aprontei-me e fiquei esperando.
Fomos até a Delegacia, pegamos as informações necessárias e
nos dirigimos até o local do fato.
O crime aconteceu longe do centro, próximo ao porto.
O corpo estava no chão, coberto com um lençol, devidamente
isolado e guarnecido pela Brigada Militar.
Como os peritos foram acionados e viriam, não mexemos em
nada.
A chegada deles demoraria, já que viriam de uma cidade
distante 200 km.
Pegamos as informações já levantadas pelos colegas militares
e conversamos com algumas pessoas que estavam curiosas no local.
Alguém sempre vê ou ouve alguma coisa.
Claro que é necessário filtrar muitas coisas, mas, em
princípio, deve-se levar tudo em consideração, até sabermos o que realmente pode
ser aproveitado.
Fui instruído a apenas fazer perguntas, colher o máximo
possível de informações, para só depois convidar a pessoa a nos acompanhar até
a Delegacia.
Se esse “convite” é feito no início, a pessoa pode não
querer colaborar e não falar mais nada.
Logicamente podemos levá-la para a Delegacia, mas alguém
contrariado pouco irá ajudar.
Resolvemos realizar buscas em algumas casas para encontrar
pessoas que foram citadas pelos curiosos.
Os lugares escuros nos quais nos metemos me fez aprender a
nunca mais sair sem uma lanterna.
Até pensei em levá-la quando saímos da Delegacia, mas
resolvi deixar por achar que não precisaria.
Estávamos em dois Policiais Civis e dois Policiais
Militares.
Andamos por diversos lugares, em vão.
Mais informações colhidas, mas ninguém encontrado.
Quando voltamos à cena do crime, uma testemunha presencial
havia passado e deixado seu nome.
Imediatamente o encontramos e levamos até a Delegacia.
Nada pode ser deixado para depois.
Uma máxima policial conhecida diz que “um homicídio se
resolve nas primeiras 24 horas ou não se resolve mais”.
Exageros à parte, faz sentido.
Enquanto as pessoas estão em choque, estão indignadas com o
que ocorreu, falam com mais facilidade.
Se esperamos para o outro dia, as testemunhas, já de cabeça
fria, temendo represálias, desencorajada por familiares e amigos, acaba
omitindo o que sabe para “não se complicar e não se incomodar”.
Infelizmente é quase sempre assim.
Por isso a importância do atendimento de pronto e de
qualidade.
Não se pode ter pressa, mas não se pode perder tempo.domingo, 17 de março de 2013
Abordagem a usuário de drogas.
Estava eu, tranquilamente, nos meus afazeres cartorários.
De repente, um colega me convida para sair e realizar alguns
levantamentos em pontos de tráfico.
Saímos os dois em uma viatura discreta.
Passamos por lugares conhecidos e por lugares onde,
supostamente, está iniciando essa mercancia e, portanto, lugares novos.
Depois de um tempo andando, vimos um carro parado em um
desses conhecidos pontos, afastado do centro.
Estava apenas o carro, sem ninguém em seu interior.
O fato de estar estacionado na contramão e os vidros
abertos, induzia a pensar que o motorista não demoraria a retornar.
Imediatamente anotei a placa, para conferir mais tarde.
Não andamos nem meia quadra e o carro saiu.
Fizemos a volta no quarteirão e seguimos a distância o
veículo.
Em dado momento, aparentemente, ele notou que estava sendo
seguido, pois aumentou um pouco a velocidade e começou a ultrapassar outros
carros.
Fizemos o mesmo, o acompanhando pro diversas quadras.
Logo, ele diminui e, abrindo para a direita, deu o lado para
passarmos.
“Emparelhamos”, baixamos o vidro e mandamos ele encostar.
Ele encostou e nós estacionamos mais a frente.
Identifiquei-me, mostrando a carteira funcional.
Enquanto meu colega pedia os documentos dele e do carro, fiz
a volta e olhei o interior do veículo pelo outro lado, não havia nada de
anormal.
Perguntado de onde vinha, não negou, disse que tinha ido “pagar
uma mão”.
Perguntado se havia comprado mais, respondeu “sim”.
Pedimos pra ver.
Ele abriu a carteira de cigarros e entregou uma trouxinha.
Ele, então, foi avisado de que seria levado até a Delegacia
de Polícia para registro.
Enquanto meu colega seguia na viatura, eu sentei na carona
do veículo do abordado.
Imediatamente abri o porta-luvas para ver se não havia mais
nada, mas estava vazio.
Enquanto meu colega fazia o registro eu tomava o depoimento.
Esse tipo de procedimento é importante como prova material.
No registro, é mencionado onde vimos ele parado.
No depoimento, ele confirma que estava lá para comprar o entorpecente.
Não carregávamos máquina fotográfica no momento em que vimos
o carro lá parado, mas um registro como esse também é muito importante.
Quanto mais coisas que deixem tudo “amarrado”, melhor.
Mais usuários que sejam abordados saindo de lá, com
apreensão de droga, claro, corroboram toda a investigação e informações
recebidas.
Como em muitos mandados de busca não encontramos drogas,
esse tipo de investigação complementa plenamente, acredito.
Depois do depoimento, duas pessoas são chamadas para testemunharem
a leitura do termo na presença de quem o deu.
Ele confirma na frente das testemunhas se foi aquilo que
disse e elas assinam o termo de declarações com ele.
Dessa forma, acredito, há uma dificuldade ou quase
impossibilidade de a defesa, posteriormente, derrubar o depoimento, alegando
coação ou qualquer outra coisa do gênero.
Depois do registro, o usuário é liberado.
Assinar:
Postagens (Atom)




