Voltando depois de muitos dias em casa.
Parece que estou iniciando do zero.
E a preguiça é inevitável.
Mas, como tem de ser, não parei o dia todo.
Organizando tudo, ficando a par de tudo que havia chegado na
minha ausência.
O número de procedimento, aparentemente, continua o mesmo.
Com uma pequena diferença.
Muitos casos complexos, mas com possibilidade de serem
resolvidos.
Muitas informações chegando e outras a serem colhidas.
Atenção total para não perde o fio da meada.
Meu novo parceiro tem um ritmo diferente.
E isso é normal, cada um tem um jeito diferente de trabalho.
Saímos muito atrás de informações, a tarde toda.
Agora percebo claramente a membrana frágil que há entre a
honestidade e a desonestidade.
As pessoas prejudicadas nos pedem auxílio, pedem para que
solucionemos os casos.
E, por vezes, oferecem “o que for preciso” para atingirmos
tal objetivo.
Logicamente não aceitamos.
Isso não faz parte da minha personalidade ou do meu caráter.
Mas agora entendo como pessoas “com a cabeça fraca” podem
corromper-se facilmente.
Nada justifica, que isso fique bem claro.
Não, não estou tentando justificar condutas de policiais
corruptos.
Mas fica claro que isso pode não começar por iniciativa
policial.
As pessoas acham que oferecendo presentes ou recompensas as
coisas andarão da melhor forma.
Infelizmente isso acontece em alguns lugares, não há como
negar.
Mas não aqui.
Não comigo.