Sabia que hoje teria, pelo menos, três presos em flagrante
para conduzir até o presídio.
Quando chegamos na Delegacia, a colega desligava o telefone.
Havia sido comunicada sobre um possível suicídio.
Era a ocorrência mais grave que eu atenderia.
Nos expedientes normais não havia me deparado nada tão
grave.
No sobreaviso então, nem se fala.
Fomos até o local, onde a polícia rodoviária federal já nos
aguardava.
Eles foram comunicados primeiro, em virtude da proximidade.
Entramos no meio do mato e das árvores por uma trilha.
Havia um rapaz enforcado.
Ele utilizou um lençol para seu intento.
Não havia documentos com ele, nem na mochila, atirada perto
dele.
Realizado o levantamento fotográfico.
Um radialista foi até o local para colher informações e
divulgar ao vivo.
O local era afastado da cidade, não havia residências muito
próximas.
Mesmo assim, várias pessoas aproximavam-se a pé, de
bicicleta ou outros meios.
Traziam crianças como se fossem ao circo.
Aglomeravam-se aos poucos.
Se deixássemos, ficariam em cima do corpo.
Não entendo esse gosto pela desgraça alheia.
A necessidade que sentem em ficar o mais próximo possível,
pelo maior tempo possível.
Tomamos todas as providências de praxe.
Logo ele foi identificado e a família comunicada.
Era aniversário da irmã dele.
Imaginem o sentimento da família.
A vítima já possuía problemas psicológicos e, provavelmente,
isso tenha influenciado.
A remoção de corpos é feita através da ligação para um 0800,
cuja central fica em Porto Alegre.
Eles comunicam a funerária responsável e liberam o código de
remoção do corpo.
Depois de tudo resolvido no local, hora de ir para a
Delegacia registrar ocorrência e fazer o relatório das diligências.
Foi tudo mais natural do que eu imaginava.
Não tive problemas em lidar com o caso.
Pior do que trabalhar com um caso assim, foi ver como as
pessoas agem em casos assim.