Texto escrito pela colega Tanise Dal Santo Pes*
Era quase 18 horas de uma terça-feira e, de repente,
uma notícia:
“Esteja aqui as 5 da manhã, está convocada para uma
operação!”
O transmissor da informação virou as costas e ficou
aquele silêncio, só ouvia a batida do coração.
Cheguei em casa meio
zonza, não falei com ninguém, até mesmo por questão de sigilo!!!
Impossível dormir.
Às 4 da manhã o
despertador tocou. Um banho para acordar, um café forte para manter-se
acordada, calça tática, camiseta da polícia, pistola no coldre, e algemas na
cintura, parti para a Delegacia sem saber nada!!!
Era um turbilhão de sensações!!!
Realmente era uma emoção, um misto de ansiedade,
nervoso e curiosidade, nem sei ao certo dizer como me sentia.
A única coisa que não senti, foi MEDO!!!
Eram 40 policiais, e
aproximadamente 3 ou 4 sabiam realmente o que seria feito.
Envelopes entregues,
equipes escolhidas:
“Essa é a casa que vocês
vão entrar, e essa é a pessoa que vocês vão prender!!!”
Entramos na viatura, estamos em 4 policiais, um
certo silêncio se formou.
Novamente só ouvia a batida do meu coração.
Chegamos na casa, todo mundo desce correndo e
cercamos o local:
“Polícia, abre a porta!!!”
Sem saber direito o que acontecia, a pessoa abriu a
porta e entramos em sua casa!
E aquela que se sentia muito esperta, muito ágil,
viu toda sua “astúcia” indo por água a baixo.
Ali estávamos nós, fazendo o nosso trabalho,
impedindo que mais adolescentes sofressem abuso, que mais crianças perdessem a
infância.
Revistamos a casa e, por
fim, foi dada voz de prisão àquela que muito já tinha debochado da polícia.
A levamos na viatura, e,
ao contrário da chegada, na saída não houve silêncio.
Dentro da viatura, vendo
aquela pessoa “contida”, e ouvindo o barulho do giroflex tive uma única certeza: estou na profissão
certa!
EU NASCI PRA SER POLÍCIA, PARA SERVIR E PROTEGER, ATÉ O FIM DOS MEUS
DIAS!!!
*Tanise Dal Santo Pes é Inspetora de Polícia da última turma e está
lotada em Uruguaiana