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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Deixou de SERVIR, mas continua a PROTEGER!

Texto escrito por Tiago Gomes*


Hoje, junto com vários colegas, passei por uma situação que não pretendia enfrentar tão cedo. 

O enterro de um colega. 

A perda de alguém que desfruta dos mesmos ideais, mesmos anseios e mesma motivação que eu, me fez pensar sobre a importância da profissão que escolhi.

A rotina da atividade policial faz com que acabemos, não raras vezes, nos esquecendo da importância da atenção e do cuidado quando estamos tanto trabalhando, quanto de folga.

Hoje, tenho certeza que muitos, assim como eu, pensaram no que deve ter acontecido para que o colega tenha tido a reação que teve. 

Nas nossas mentes recriou-se o cenário e muitos se imaginaram na mesma posição que ele ocupava quando do início da tragédia. 

Alguns pensaram talvez no mesmo comportamento, com um final diferente, outros em outro comportamento mas com o mesmo final; e até o mesmo comportamento com o mesmo final. 

Mas esses pensamentos não passam de pensamentos, imaginação, mas que a qualquer momento, podem tornar-se realidade.

Por isso, peço a todos cuidado e atenção, pois não desejo passar por essa situação tão cedo.

Por fim, deixo aqui a minha homenagem ao Michel, que nos acompanhou nesses 2 anos na busca pelo mesmo objetivo final, e que teve seu sonho interrompido por aquilo que nos dispomos a combater. 

Que ele agora deixe de nos SERVIR e passe exclusivamente a nos PROTEGER nessa nossa caminhada.





*Tiago Gomes é Inspetor de Polícia e está lotado na 2ª DHPP de Porto Alegre.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A primeira operação ... e a certeza da profissão.


Texto escrito pela colega Tanise Dal Santo Pes*

 
 
Era quase 18 horas de uma terça-feira e, de repente, uma notícia:

“Esteja aqui as 5 da manhã, está convocada para uma operação!”

O transmissor da informação virou as costas e ficou aquele silêncio, só ouvia a batida do coração.

Cheguei em casa meio zonza, não falei com ninguém, até mesmo por questão de sigilo!!!

Impossível dormir.
Às 4 da manhã o despertador tocou. Um banho para acordar, um café forte para manter-se acordada, calça tática, camiseta da polícia, pistola no coldre, e algemas na cintura, parti para a Delegacia sem saber nada!!!

Era um turbilhão de sensações!!!

Realmente era uma emoção, um misto de ansiedade, nervoso e curiosidade, nem sei ao certo dizer como me sentia.

A única coisa que não senti, foi MEDO!!!

Eram 40 policiais, e aproximadamente 3 ou 4 sabiam realmente o que seria feito.

Envelopes entregues, equipes escolhidas:
“Essa é a casa que vocês vão entrar, e essa é a pessoa que vocês vão prender!!!”

Entramos na viatura, estamos em 4 policiais, um certo silêncio se formou.

Novamente só ouvia a batida do meu coração.

Chegamos na casa, todo mundo desce correndo e cercamos o local:

“Polícia, abre a porta!!!”

Sem saber direito o que acontecia, a pessoa abriu a porta e entramos em sua casa!

E aquela que se sentia muito esperta, muito ágil, viu toda sua “astúcia” indo por água a baixo.

Ali estávamos nós, fazendo o nosso trabalho, impedindo que mais adolescentes sofressem abuso, que mais crianças perdessem a infância.

Revistamos a casa e, por fim, foi dada voz de prisão àquela que muito já tinha debochado da polícia.
A levamos na viatura, e, ao contrário da chegada, na saída não houve silêncio.

Dentro da viatura, vendo aquela pessoa “contida”, e ouvindo o barulho do giroflex tive uma única certeza: estou na profissão certa!
EU NASCI PRA SER POLÍCIA, PARA SERVIR E PROTEGER, ATÉ O FIM DOS MEUS DIAS!!!

 
 

*Tanise Dal Santo Pes é Inspetora de Polícia da última turma e está lotada em Uruguaiana