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quarta-feira, 20 de março de 2013

Seis meses como Policial.

Completo, nesses dias, seis meses atuando como policial.

Não sei ao certo que dia começo a contagem.
A posse foi em no dia 19 de setembro. O exercício, dia 21 de setembro.

Na dúvida, comemorarei dia 20.
Descobri que seis meses é muito e é pouco.

Explico.
É muito tempo de afastamento dos amigos que fiz na Academia de Polícia.

Mas é pouco tempo para ter segurança total no que faço.
Hoje, logicamente, me sinto mais “polícia” do que há seis meses.

Sinto segurança em coisas que não tinha há um ou dois meses.
Percebo que a segurança, certamente, é um sentimento construído com o tempo.

Hoje leio textos que escrevi quando comecei a trabalhar e percebo que algumas coisas nem são mencionadas nos textos atuais, pois já se tornaram normais. As faço sem perceber.
Cada dia, cada semana, uma experiência nova, um cuidado a mais a ser tomado.

A cada erro, próprio ou dos outros, um aprendizado a não ser repetido.
Se não nos é permitido errar uma vez, que dirá duas.

Por vezes ainda me sinto um novato, por vezes não.
Percebo que mudei como pessoa.

Não sei se para melhor ou pior, afinal, esse tipo de julgamento é relativo.
Sei apenas que me sinto mais seguro, mais independente, mais experiente e que ainda não perdi minha indignação com injustiças.

É sabido que todos saem do sério ao deparar-se com injustiças.
Pessoas “comuns” recebem pequenas doses de indignação e o passar dos dias surge como um paliativo.

Policiais recebem doses massivas todos os dias, e o passar destes não ameniza os efeitos.
Talvez isso passe com o tempo, afinal, tudo é adaptação.

Com isso, quero dizer que hoje entendo atitudes que não entendia quando não era policial.
Isso não quer dizer que eu defenda e justifique todas elas, apenas que entendo.

Mas talvez seja essa capacidade de indignação que nos mova, dia após dia, na busca do ponto de equilíbrio do convívio social, mesmo diante de todas as adversidades.
Além da indignação, me sinto na obrigação de ser mais honesto do que era, mas educado do que era.

Acredito que temos o dever de fazer sempre o que é certo.
Por certo, leia-se legal e moralmente, sem esquecer o bom senso.

Mas todo o exposto não passa de mera suposição de um policial novato.
Mas que a experiência que há de vir, não faça com que eu esqueça isso.

Que eu possa ser sempre um aprendiz, um eterno NOVATO.


 
 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A prisão e o aprendizado.


Não pude escrever ontem.
Mas foi um dia interessante.

Na noite de terça para quarta-feira, finalmente, caiu um dos principais assaltantes do centro da Cidade.
Já sabíamos quem era.

E ele estava ficando descuidado e cada vez mais atrevido.
Era questão de tempo para ser pego.

Após praticar mais um assalto, foi perseguido por populares, pelos colegas da Brigada militar e por uma equipe da Polícia Civil, que o prenderam escondido em um pátio de uma casa deitado atrás de um pé de bananeira.
A notícia da prisão correu logo e algumas vítimas compareceram na Delegacia.

Até mesmo as que, até então, não haviam registrado ocorrência.
Nos organizamos e deixamos tudo pronto para realizar o reconhecimento pessoal no turno da tarde.

Oito vítimas compareceram.
As oito reconheceram.

E ainda há mais vítimas!
A prisão foi um alívio para todos.

Há a possibilidade de que estivesse praticando um ou dois assaltos, no mínimo, por dia.
Com os reconhecimentos, certamente ficará um bom tempo fechado.

Tudo isso deu uma correria danada.
Arrumar pessoas para auxiliar como coadjuvantes no reconhecimento.

Mais duas testemunhas...
Mas deu tudo certo.

Hoje, no turno da tarde, fomos cumprir um mandado de busca e apreensão no interior.
As notícias recebidas não eram boas.

Poderia haver recalcitrância.
Então, fomos em cinco policiais, em duas viaturas.

Todos com colete, todos armados, todos atentos.
Ao chegar, apenas uma mulher com uma criança pequena estava na casa.

Na verdade, haviam duas casas na granja.
Mostramos o mandado e ela prontamente auxiliou, nos levando para uma das casas, onde, supostamente era o endereço que procurávamos.

Enquanto entrávamos na casa, ela saiu dizendo que iria buscar o filho pequeno, para não deixá-lo sozinho.
Um colega mais experiente, orientou uma colega a segui-la.

E ela foi.
Apressou o passo para tentar alcançá-la.

Entrou na casa a tempo de vê-la esconder uma arma embaixo de umas roupas.
Não era a que buscávamos, mas, diante disso, foi apreendida.

Todos conduzidos para a Delegacia.
A arma, conforme o dono, possuía registro.

E isso foi confirmado posteriormente.
A mulher, assustada, pensou estar ajudando o marido fazendo o que fez.

Não vi o desfecho, pois não acompanhei o registro e as oitivas.
Mas acredito que foram liberados após o registro.

De qualquer forma, ficou o aprendizado de não descuidar nunca.
Em nenhum momento.

Em nenhuma circunstância.