De repente, um colega me convida para sair e realizar alguns
levantamentos em pontos de tráfico.
Saímos os dois em uma viatura discreta.
Passamos por lugares conhecidos e por lugares onde,
supostamente, está iniciando essa mercancia e, portanto, lugares novos.
Depois de um tempo andando, vimos um carro parado em um
desses conhecidos pontos, afastado do centro.
Estava apenas o carro, sem ninguém em seu interior.
O fato de estar estacionado na contramão e os vidros
abertos, induzia a pensar que o motorista não demoraria a retornar.
Imediatamente anotei a placa, para conferir mais tarde.
Não andamos nem meia quadra e o carro saiu.
Fizemos a volta no quarteirão e seguimos a distância o
veículo.
Em dado momento, aparentemente, ele notou que estava sendo
seguido, pois aumentou um pouco a velocidade e começou a ultrapassar outros
carros.
Fizemos o mesmo, o acompanhando pro diversas quadras.
Logo, ele diminui e, abrindo para a direita, deu o lado para
passarmos.
“Emparelhamos”, baixamos o vidro e mandamos ele encostar.
Ele encostou e nós estacionamos mais a frente.
Identifiquei-me, mostrando a carteira funcional.
Enquanto meu colega pedia os documentos dele e do carro, fiz
a volta e olhei o interior do veículo pelo outro lado, não havia nada de
anormal.
Perguntado de onde vinha, não negou, disse que tinha ido “pagar
uma mão”.
Perguntado se havia comprado mais, respondeu “sim”.
Pedimos pra ver.
Ele abriu a carteira de cigarros e entregou uma trouxinha.
Ele, então, foi avisado de que seria levado até a Delegacia
de Polícia para registro.
Enquanto meu colega seguia na viatura, eu sentei na carona
do veículo do abordado.
Imediatamente abri o porta-luvas para ver se não havia mais
nada, mas estava vazio.
Enquanto meu colega fazia o registro eu tomava o depoimento.
Esse tipo de procedimento é importante como prova material.
No registro, é mencionado onde vimos ele parado.
No depoimento, ele confirma que estava lá para comprar o entorpecente.
Não carregávamos máquina fotográfica no momento em que vimos
o carro lá parado, mas um registro como esse também é muito importante.
Quanto mais coisas que deixem tudo “amarrado”, melhor.
Mais usuários que sejam abordados saindo de lá, com
apreensão de droga, claro, corroboram toda a investigação e informações
recebidas.
Como em muitos mandados de busca não encontramos drogas,
esse tipo de investigação complementa plenamente, acredito.
Depois do depoimento, duas pessoas são chamadas para testemunharem
a leitura do termo na presença de quem o deu.
Ele confirma na frente das testemunhas se foi aquilo que
disse e elas assinam o termo de declarações com ele.
Dessa forma, acredito, há uma dificuldade ou quase
impossibilidade de a defesa, posteriormente, derrubar o depoimento, alegando
coação ou qualquer outra coisa do gênero.
Depois do registro, o usuário é liberado.
