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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Reação à abordagem policial

Trago um vídeo pra vocês.
 
Tanto faz olhar o vídeo antes ou depois de ler a postagem.
 
Deixando de lado a agressão ao Carpinejar, a atitude do agressor ao ser abordado pelo Policial é mais comum do que vocês imaginam.

O cara é abordado e age como se nem fosse com ele, como se não precisasse obedecer à abordagem, possivelment
e se achando muito superior para ser detido por um Policial Militar.

Pior é que esse tipo de reação é ainda mais comum com pessoas mais instruídas, que, em tese, deveriam entender e colaborar com o trabalho Policial.
 
Pessoas ditas "instruídas" querem argumentar, sempre dizem que "tem seus direitos", não necessariamente elencando quais deles querem naquele momento.

É lógico que sabemos, como Policiais, que a pessoa abordada/detida/presa tem seus direitos.

Mas nós temos o dever de fazer nosso trabalho e é claro que isso coloca as pessoas em uam situação incômoda, o que não lhes dá o aludido direito a serem insucetíveis à lei.

Tirem suas proprias conclusões.

http://videos.clicrbs.com.br/rs/zerohora/video/video-minuto/2013/08/video-mostra-agressao-fabricio-carpinejar/33791/


http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/08/fabricio-carpinejar-e-agredido-por-pedestre-durante-gravacao-de-tv.html

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Uma hora, isso ia acontecer...


Na quinta-feira passada, entre outras atividades, fomos cumprir um mandado de busca e apreensão na casa de um investigado pro tráfico.
Sabemos que ele trafica, mas precisamos provar.

Reviramos toda a casa, procuramos nos lugares mais improváveis.
No entanto, não encontramos nada.

Ele é aquele mesmo do sorriso debochado, que eu referi em outra postagem tempos atrás.
Na saída, tivemos que agüentar o mesmo sorriso debochado.

Mas uma hora ele cai.
Na sexta-feira, passei por situações que imaginei que passaria em algum momento.

Íamos para casa, perto do meio dia, um colega novato, um estagiário e eu.
Quando cruzávamos por uma praça conhecida da cidade, avistamos um rapaz acendendo um baseado.

O almoço iria esperar.
O colega e eu decidimos abordá-lo.

Voltamos, abordamos, revistamos e o identificamos.
Como não possuía mais nada, o conduzimos até a Delegacia para o registro por posse de entorpecente.

Fomos a pé mesmo.
Ele utilizava muletas, por isso não o algemamos, apenas o acompanhamos de perto.

Realizamos o registro com o plantonista e fomos embora.
À noite, fora do expediente, estava eu saindo do condomínio quando notei a aproximação de um homem próximo ao portão.

Já fiquei prestando atenção nele.
Quando fechei o portão e ele me viu, veio em minha direção de um jeito estranho e me disse “o meu, me arruma dez pila”.

Imediatamente levei a mão à cintura, mas não saquei a arma.
Disse a ele que não tinha nada e o mandei embora.

Ele insistia e o cheiro de cachaça ficava evidente.
Diante da insistência e desconfiado da atitude dele, levantei a camiseta e empunhei a arma, mas não a saquei.

Vi que ele percebeu e disse “o meu, não sou ladrão nem assaltante!”.
Mas eu ainda tinha minhas dúvidas, então continuei o mandando embora, pois não o conhecia e não lhe daria dinheiro.

Desviei dele e fui até o carro, sempre cuidando a movimentação dele, mas ele não insistiu mais.
Consegui contornar a situação de uma forma relativamente tranqüila, embora tensa por momentos.

Talvez se não fosse policial, não ficaria tão tenso, sei lá.
Mas o fato de ficarmos o tempo todo tomando cuidado, trabalharmos diariamente com o crime, nos deixe assim.

 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Crimes diminuindo

Ainda estamos envolvidos com os procedimentos da Operação.

É realmente algo bem complexo e demorado, mas superaremos.
Pela manhã ficamos envolvidos buscando elementos para desvendar a autoria de um roubo ocorrido em um estabelecimento comercial ontem à noite.

Durante a tarde, em uma dessas diligências, abordamos um grupo de indivíduos no interior de uma praça.
Deixamos a viatura distante e entramos na praça caminhando, meio que escondidos, de forma que só nos vissem quando já estivéssemos bem perto.

E deu certo. Quando notaram nossa presença já estávamos “em cima” deles.
Em revista pessoal no primeiro indivíduo, encontramos certa quantidade de maconha.

Algemei-o e o outro colega seguiu na revista, mas nada mais foi encontrado.
Levamos para a Delegacia para lavratura do flagrante pro tráfico de drogas, já que o argumento de que era usuário não colou.

Nos últimos dias dediquei-me e elaborar uma tabela com estatísticas dos crimes contra o patrimônio registrados nos últimos meses.
Maior atenção para os furtos, roubos e estelionatos, já que são delitos mais comuns por aqui.

Dentro dos furtos, discriminei aqueles em residências, em veículos, de veículos, em estabelecimentos comerciais, e “outros furtos”.
Nos roubos, discriminei aqueles contra pedestres , contra estabelecimentos comerciais, de veículos e em residências.

Depois disso, utilizei o Excel para transformar todos os dados em uma tabela, primeiro geral, depois discriminada.
Foi interessante ver como o índice de crimes contra o patrimônio tem diminuído nos últimos meses.

Roubos saíram de uma média de mais de quinze por mês para menos de cinco.
O índice de furtos caiu um terço mês passado e possivelmente vai cair ainda mais este mês se seguir com a média atual.

O segredo?
Ainda estou tentando descobrir.

Na verdade, criei a tabela exatamente para verificar o que leva a essa sazonalidade, embora já tenha em mente algumas hipóteses.
O fato de termos “destapado” algumas autorias e pedido a prisão preventiva dos acusados, que continuam presos, ajudou bastante, principalmente na diminuição dos roubos.

O mesmo vale para os autores dos furtos, embora estejam presos por este e por outros motivos, já que dificilmente ficam presos por responderem por furtos (infelizmente).
Assim que encerrar este mês, poderei ter dados mais concretos da diminuição dos crimes contra o patrimônio.

Vamos ver o que poderá ser extraído dessas informações.
Tudo em prol da diminuição da criminalidade.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Dia movimentado

Terça-feira.

Como esperado, o dia foi agitado.
Realizamos um auto de reconhecimento pessoal.

Como é algo que exige praticamente um cerimonial e ocupa grande parte dos colegas, juntamos vários procedimentos e fizemos vários reconhecimentos.
Ainda pela manhã tentei tomar o depoimento de várias vítimas, mas consegui contato com poucas e nem todas se disponibilizaram em comparecer.

Lição para a próxima: organizar-me melhor e de forma antecipada.
Depois de findo o reconhecimento, saí com outro colega em uma viatura discreta diligenciar em alguns bairros da cidade.

Ao passar por um conhecido ponto de venda de drogas, percebemos que um veículo parou em frente ao lugar, alguém desceu, voltou e o veículo imediatamente saiu.
Cortamos caminho, pegamos uma rua principal, enquanto o veículo estava logo atrás.

Decidimos abordá-lo.
Como percebemos que havia quatro pessoas no carro, ligamos e pedimos auxílio de outros dois colegas.

Marcamos um ponto de abordagem.
Ao nos aproximarmos do ponto de abordagem, ligamos a sirene da viatura discreta e fizemos sinal para que o veículo estacionasse.

Os outros colegas, que esperavam mais a frente, logo chegaram para auxiliar.
Determinamos que todos saíssem do veículo e os revistamos.

Enquanto um colega conversava com o motorista, revistamos o carro.
Olhamos todos os lugares que poderiam esconder algum invólucro com droga.

O primeiro lugar em que olhei foi dentro de uma carteira de cigarros que estava no painel, pois é um esconderijo comum.
Não encontramos nada.

Como o motorista estava sem habilitação e sem documentos, chamamos a Brigada Militar para notificá-lo.
Assim que eles chegaram, saímos do local e deixamos tudo a cargo deles.

Fiquei pensando que, muito embora o senso comum diga que ser usuário “não dá nada” (e realmente não dê mesmo), no grande constrangimento que era ser abordado pela polícia.
Bom, pelo menos eu ficaria extremamente constrangido, não sei se esse é um sentimento comum.

Ser abordado por duas viaturas, mesmo que discretas, com curiosos aglomerando-se mesmo que de forma distante e olhando para tudo o que se passava.

Acredito que mesmo que uma abordagem dessas não cause muitos danos legais àquele que se define como usuário, causa um constrangimento considerável, principalmente tratando-se de uma cidade pequena ou média, onde as pessoas se conhecem.
Mas enfim, são apenas divagações, já que, provavelmente, eles não pensem assim.

Quem tem muito a perder pensa em como se portar, no que se pode ou não fazer.
Quem não tem, apenas faz.

domingo, 17 de março de 2013

Abordagem a usuário de drogas.

Estava eu, tranquilamente, nos meus afazeres cartorários.

De repente, um colega me convida para sair e realizar alguns levantamentos em pontos de tráfico.
Saímos os dois em uma viatura discreta.

Passamos por lugares conhecidos e por lugares onde, supostamente, está iniciando essa mercancia e, portanto, lugares novos.
Depois de um tempo andando, vimos um carro parado em um desses conhecidos pontos, afastado do centro.

Estava apenas o carro, sem ninguém em seu interior.
O fato de estar estacionado na contramão e os vidros abertos, induzia a pensar que o motorista não demoraria a retornar.

Imediatamente anotei a placa, para conferir mais tarde.
Não andamos nem meia quadra e o carro saiu.

Fizemos a volta no quarteirão e seguimos a distância o veículo.
Em dado momento, aparentemente, ele notou que estava sendo seguido, pois aumentou um pouco a velocidade e começou a ultrapassar outros carros.

Fizemos o mesmo, o acompanhando pro diversas quadras.
Logo, ele diminui e, abrindo para a direita, deu o lado para passarmos.

“Emparelhamos”, baixamos o vidro e mandamos ele encostar.
Ele encostou e nós estacionamos mais a frente.

Identifiquei-me, mostrando a carteira funcional.
Enquanto meu colega pedia os documentos dele e do carro, fiz a volta e olhei o interior do veículo pelo outro lado, não havia nada de anormal.

Perguntado de onde vinha, não negou, disse que tinha ido “pagar uma mão”.
Perguntado se havia comprado mais, respondeu “sim”.

Pedimos pra ver.
Ele abriu a carteira de cigarros e entregou uma trouxinha.

Ele, então, foi avisado de que seria levado até a Delegacia de Polícia para registro.
Enquanto meu colega seguia na viatura, eu sentei na carona do veículo do abordado.

Imediatamente abri o porta-luvas para ver se não havia mais nada, mas estava vazio.
Enquanto meu colega fazia o registro eu tomava o depoimento.

Esse tipo de procedimento é importante como prova material.
No registro, é mencionado onde vimos ele parado.

No depoimento, ele confirma que estava lá para comprar o entorpecente.
Não carregávamos máquina fotográfica no momento em que vimos o carro lá parado, mas um registro como esse também é muito importante.

Quanto mais coisas que deixem tudo “amarrado”, melhor.
Mais usuários que sejam abordados saindo de lá, com apreensão de droga, claro, corroboram toda a investigação e informações recebidas.

Como em muitos mandados de busca não encontramos drogas, esse tipo de investigação complementa plenamente, acredito.
Depois do depoimento, duas pessoas são chamadas para testemunharem a leitura do termo na presença de quem o deu.

Ele confirma na frente das testemunhas se foi aquilo que disse e elas assinam o termo de declarações com ele.
Dessa forma, acredito, há uma dificuldade ou quase impossibilidade de a defesa, posteriormente, derrubar o depoimento, alegando coação ou qualquer outra coisa do gênero.

Depois do registro, o usuário é liberado.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Vídeo - Abordagem a indivíduo armado

Encontrei esse vídeo bem recente no Facebook.

Deixo a disposição para que cada um tire suas próprias conclusões.

O risco de abordagem com armas coldreadas.

O risco de um abordagem aparentemente simples.

O fato de não ser o elemento surpresa (o abordado estava acompanhando toda a movimentação antes de ser levantado).

O risco de "colar as placas" no momento da abordagem e ser morto ou prejudicar o colega.

Enfim, muitas coisas podem ser extraídas.

De tudo isso, fica a lição de que não podemos esperar somente pela sorte.

http://www.facebook.com/photo.php?v=289175267875100

sábado, 12 de janeiro de 2013

Um dia de sorrisos debochados.



A semana passou voando.

Cada vez mais trabalho.

O fato de cinco colegas de Seção estar de férias contribuiu.

No início da semana recebemos informação de que dois indivíduos de Porto 
Alegre estariam em um beco conhecido da cidade, consumindo e vendendo drogas com velhos conhecidos da polícia.

Decidimos ir até o local para identificá-los.

Fomos m quatro colegas, por garantia.

Próximo a esse beco, há uma esquina, onde há mercancia de drogas.

Sabemos disso.

Todo mundo sabe disso.

Mas, depois de muitas abordagens e prisões eles ficaram mais espertos.

Mas continuam por ali.

Quando a viatura discreta se aproximou, três indivíduos saíram um para cada direção, caminhando calmamente.

O beco iria esperar.

A abordagem tinha que ser feita.

Escolhemos um e fomos na sua direção.

Aprendi que devo esquecer o resto e cuidar as mãos.

Apenas as mãos.

Quando sentem que serão abordados eles simplesmente largam o que trazem e permanecem com uma passividade invejável.

Ele caminhava com as mãos fechadas, esbanjando tranquilidade.

Quando nos aproximamos mais e a viatura parou ao lado ao seu lado, percebi 
ele largar algo.

Falei para os colegas: ele largou!

Desci rapidamente da viatura a tempo de vê-lo largar mais alguma coisa.

Cheguei “em cima dele” e mandei mostrar as mãos.

A decepção.

Eram apenas pequenas sementes verdes de uma árvore conhecida.

Revistamos, mas ele não trazia nada com ele.

Liberamos e tivemos que vê-lo sair com um sorriso debochado no rosto.

Voltamos para o beco então.

Perguntamos para uma senhora dobre os indivíduos.

Segundo ela, um era seu filho, que teria vindo passar uns dias com a família ali.

Mas já havia voltado para Porto Alegre.

Quanto ao outro indivíduo, referiu não ter visto por ali.

Tudo esclarecido, meu colega pediu para que eu pegasse o nome de um outro rapaz que estava ali, só por garantia.

Quando me aproximei ele disse que não diria seu nome.

“Então vamos te levar pra Delegacia pra te identificar”, falei pra ele.

“Não sei por que”, ele disse.

“Ou tu me dá teu nome ou vai com nós até a Delegacia, tu escolhe” continuei.

E então ele me deu o nome.

E outra vez aparecia o sorriso debochado, mesmo que em outro rosto.

Não tinha nada de errado, apesar de várias passagens por posse de entorpecentes.

Quis apenas dar uma de malandro.

De qualquer forma, eu, que antes apenas observava e quase nunca falava nada nessas situações, consegui me impor de forma que ele respeitasse o meu trabalho.

A roda gira e vamos ver quem vair rir de quem.