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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Um dia é da caça...

... e o outro do caçador!

O dia seria normal hoje, não fosse por um motivo.
Decidimos cumprir mandados de busca e apreensão em horário diferente do costumeiro.

Saímos para o cumprimento pouco antes das 18h.
Os lugares eram pontos com diversas informações de tráfico, mas que ainda não tinham “caído” nenhuma vez.

Chegamos, dominamos o ambiente e começamos as buscas.
Fui procurar no quarto do casal com outros colegas.

De cara, abri uma caixa de sapatos e... Bingo!
Encontrei algo acondicionado dentro de três balões atados entre si e isso, por si só, já era suspeito.

Entreguei para um colega mais velho verificar e segui as buscas.
O colega abriu e confirmou a suspeita: era droga.

Logo encontrei mais algumas pedrinhas embaladas em papel alumínio dentro de um pote de água oxigenada.
Outro pote pequeno escondia cocaína, pronta para ser vendida.

Ainda encontramos outros objetos suspeitos que foram apreendidos.
Levamos o casal preso em flagrante para a Delegacia, enquanto os filhos pequenos choravam no colo de outros parentes.

Requisitamos duas pessoas que não fossem policiais para testemunharem os objetos apreendidos.
Saímos com os presos na direção da Delegacia com as sirenes ligadas.

É gratificante realizar um bom serviço e poder mostrar isso para a comunidade.
Mais ainda quando se trata de um indivíduo difícil de derrubar.

Mas todos cairão, cedo ou tarde. E hoje foi um dia desses.
Saí da Delegacia por volta de 21h, mas valeu a pena.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Uma hora, isso ia acontecer...


Na quinta-feira passada, entre outras atividades, fomos cumprir um mandado de busca e apreensão na casa de um investigado pro tráfico.
Sabemos que ele trafica, mas precisamos provar.

Reviramos toda a casa, procuramos nos lugares mais improváveis.
No entanto, não encontramos nada.

Ele é aquele mesmo do sorriso debochado, que eu referi em outra postagem tempos atrás.
Na saída, tivemos que agüentar o mesmo sorriso debochado.

Mas uma hora ele cai.
Na sexta-feira, passei por situações que imaginei que passaria em algum momento.

Íamos para casa, perto do meio dia, um colega novato, um estagiário e eu.
Quando cruzávamos por uma praça conhecida da cidade, avistamos um rapaz acendendo um baseado.

O almoço iria esperar.
O colega e eu decidimos abordá-lo.

Voltamos, abordamos, revistamos e o identificamos.
Como não possuía mais nada, o conduzimos até a Delegacia para o registro por posse de entorpecente.

Fomos a pé mesmo.
Ele utilizava muletas, por isso não o algemamos, apenas o acompanhamos de perto.

Realizamos o registro com o plantonista e fomos embora.
À noite, fora do expediente, estava eu saindo do condomínio quando notei a aproximação de um homem próximo ao portão.

Já fiquei prestando atenção nele.
Quando fechei o portão e ele me viu, veio em minha direção de um jeito estranho e me disse “o meu, me arruma dez pila”.

Imediatamente levei a mão à cintura, mas não saquei a arma.
Disse a ele que não tinha nada e o mandei embora.

Ele insistia e o cheiro de cachaça ficava evidente.
Diante da insistência e desconfiado da atitude dele, levantei a camiseta e empunhei a arma, mas não a saquei.

Vi que ele percebeu e disse “o meu, não sou ladrão nem assaltante!”.
Mas eu ainda tinha minhas dúvidas, então continuei o mandando embora, pois não o conhecia e não lhe daria dinheiro.

Desviei dele e fui até o carro, sempre cuidando a movimentação dele, mas ele não insistiu mais.
Consegui contornar a situação de uma forma relativamente tranqüila, embora tensa por momentos.

Talvez se não fosse policial, não ficaria tão tenso, sei lá.
Mas o fato de ficarmos o tempo todo tomando cuidado, trabalharmos diariamente com o crime, nos deixe assim.

 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Revendo os colegas


Essa semana foi bastante corrida.

Tentarei fazer um resumo dos últimos dias.

Na terça-feira, saímos às 06h em direção ao interior de outro município, para cumprimento de mandados de busca e apreensão.

Como a Delegacia de lá possui poucos agentes, fomos auxiliá-los.

Como eram dois endereços, fomos em duas equipes, cada um com quatro policiais.

Seguimos pela estrada de chão até os locais.

A primeira viatura chegou primeiro ao destino. Nós seguimos mais um pouco.

Quando chegamos ao local, percebemos que havia dois locais. Uma residência e uma espécie de bar (esses de interior mesmo).

Decidimos ir diretamente à casa.

Depois de devidamente cercada batemos na porta, chamando pelo nome do morador.

Nada.

Continuamos batendo nas portas, nas janelas, e nada.

Espiamos por uma fresta da janela, mas não havia movimentação de pessoas.

Dois colegas foram ate o bar e ficamos em dois na casa, caso aparecesse alguém.

Logo ouvi a colega falando para alguém sair da casa.

Entrei na triangulação da porta com a colega e logo o morador apareceu.

Procedida a revista, informamos sobre o cumprimento do mandado.

Realizamos as buscas e encontramos alguns objetos, que foram apreendidos.

Tudo terminado, pegamos o caminho de volta, mas decidimos chegar no endereço onde os outros colegas ainda estavam.

Fizemos bem.

Além de ter várias pessoas na casa, foram encontradas várias irregularidades.

Além dos objetos elencados no mandado de busca estarem ali (e não eram 
poucos), vários outros de procedência não suficientemente esclarecidas foram apreendidos.

Além de uma arma ter sido apreendida, ainda havia indícios de abigeato.

Acabamos ficando a manhã toda lá.

Semana passada eu havia recebido a informação de que, em virtude da morte do Michel Vieira, nossa turma de Acadepol seria convocada pela Chefia para uma conversa.

Não seriam convocados todos os formandos, apenas os colegas da turma 14.

Na segunda-feira, a notícia se confirmou através da convocação oficial.

Elaborei um ofício de apresentação de uma ordem de viagem, elementos indispensáveis em uma viagem a trabalho.

Qualquer imprevisto será amparado por estes documentos.

Na terça-feira de noite, Luana e eu embarcamos em direção a Porto Alegre.

Uma pequena viagem de quase oito horas até lá.

Deveríamos nos apresentar na Academia de Polícia às 13h30min, então, pela manhã, fui até o Departamento de Polícia do Interior (DPI), localizado no 
Palácio da Polícia, para ver o que deveria ser feito para ser ressarcido pelo gasto com passagens e se teria direito à diária.

Fui muito bem atendido e minhas dúvidas foram sanadas.

Tenho direito ao ressarcimento das passagens mediante à comprovação do gasto com elas e terei direito à diária assim que fizer um Relatório de Serviço e encaminhar ao DPI.

Combinamos com os colegas e fomos almoçar no mesmo lugar.

É muito bom rever os colegas de Academia depois de tanto tempo, pena que por um motivo trágico.

Falando nisso, a ida a Porto Alegre me deixou receoso.

Tentei ser o mais discreto possível, ainda mais com a arma.

Era um medo que havia passado enquanto eu estava no curso de formação, mas que havia voltado com força na quarta-feira.

No horário combinado, estávamos todos na Academia de Polícia.

O Chefe de Polícia, Delegado Ranolfo, primeiramente pediu que nos apresentássemos, dizendo nome e lotação.

Depois, referiu a preocupação com os fatos ocorridos nos últimos dias e mostrou-se solidário.

Referiu que sentia-se na obrigação de dirigir-se aos colegas do Michel para dizer que a Instituição, através de todos os setores que a compõe, estavam 
prontos a nos auxiliar em qualquer situação.

Conversamos um pouco sobre a necessidade e a previsão legal de andarmos sempre armados, mas preparados para essa responsabilidade.

Depois, conversamos em grupo com duas psicólogas do Serviço de Assistência Social (SAS).

É um setor da própria Instituição que também nos foi disponibilizado ainda na Academia de Polícia.

Depois de tudo terminado, ficamos conversando na frente Academia, enquanto os alunos do Curso de Formação para Delegado transitavam por ali de uniforme.

Logo, aproximou-se uma moça (cujo nome não lembro e peço desculpas) perguntando se meu nome era Luiz.

Respondi que sim e ela mencionou ser leitora assídua do Blog.

Logo, outra aluna aproximou-se para conversar e falar sobre o Blog.

Fiquei muito surpreso e feliz com a notícia.

Passei o resto do dia com os colegas e de noite embarquei de volta para São Borja.

Com duas noites dormindo dentro de um ônibus, não tive condições de trabalhar pela manhã.

À tarde, recebi a convocação para substituir um colega no Plantão amanhã.

Meus dias de folga pós-Plantão cairão no fim de semana e poderei usufruir apenas a segunda-feira de folga.

Mas “não dá nada”, afinal, estamos aí pra isso.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Operação Castelo de Areia


Na quinta-feira fiquei sabendo que fora designado para levar uma viatura até São Luiz Gonzaga.
O veículo seria utilizado em uma operação.

Eu não participaria.
Deveria esperar que ela terminasse e, então, retornar para São Borja.

Mais tarde, quando fui pedir mais detalhes, tudo havia mudado.
Eu iria para a operação.

Apenas eu de São Borja.
Não tinha detalhes de nada.

Não sabia onde seria realizada a operação.
Redigi minha Ordem de Viagem com os elementos conhecidos e passei para que o Delegado assinasse.

Em contato telefônico com um colega de São Luiz Gonzaga, fui informado de que a viatura deveria ser deixada na Delegacia logo quando eu chegasse.
Eu deveria apresentar-me por volta das 2h30min.

Isso dava indícios de que a operação seria longe.
No mesmo dia, uma colega e eu fomos designados para representar o delegado em um evento particular de uma empresa de São Borja.

Ficamos lá até pro volta de 21h30min.
Depois disso, peguei minhas coisas e rumei para São Luiz Gonzaga.

Chovia razoavelmente na ida.
Cheguei em casa por volta das 23h.

Arrumei minha roupa, meus equipamentos e decidi cochilar aquele pouco tempo, antes de ir para a Delegacia.
Dormi umas duas horas.

Acordei 01h30.
02h20min eu já estava na Delegacia.

Alguns colegas já estavam por lá, outros chegaram depois.
Em princípio, nenhum sabia para onde iríamos.

Quando todos haviam chegado, nos reunimos para que as instruções fossem passadas.
Iríamos para Ijuí, até o parque de exposições, onde mais informações seriam passadas.

Nos deslocamos em comboio até lá.
Chovia muito na viagem.

A única coisa que eu conseguia pensar era como cumprir mandados com aquela chuva.
Molhar pistola e carregadores?

Teria que esperar e ver o que os mais velhos fariam.
Quando chegamos nos parque em Ijuí, percebemos a grandiosidade da operação.

Uma grande quantidade de viaturas denunciava que não era só mais uma simples operação.
A presença de colegas do DENARC, de Porto Alegre, e que não é comum fora da região metropolitana, também chamou a atenção.

Nos reunimos em um salão, onde os delegados um a um, falavam da importância e dos cuidados a serem tomados no cumprimento dos mandados de busca e de prisão.
Confesso que a forte chuva que caía sobre a cobertura impedia que ouvíssemos tudo o que era dito.

Havia 70 mandados a serem cumpridos.
35 de prisão e 35 de busca e apreensão.

Divididos entre Ijuí, Panambi e Catuípe.
As equipes foram divididas com um “guia” cada.

Esse guia, conhecia muito bem cada uma dessas regiões e iria nos acompanhar.
Nosso guia tinha um detalhe em especial.

Utilizava um revólver, aparentemente muito antigo, mas muito bem conservado.
Era detalhado em dourado, bem parecido com armas de filmes de faroeste.

Fomos em quatro viaturas.
Uma delas apenas para fechar a rua e fazer a segurança.

Os colegas de São Luiz Gonzaga e eu ficamos na última viatura.
Seguimos nosso guia até a casa onde seriam cumpridos dois mandados de prisão e um de busca e apreensão.

A chuva forte havia cessado.

Apenas uma garoa ainda persistia.

Chegamos na casa e logo desci rapidamente.
Mesmo sendo rápido, quando entrei no pátio da casa, os colegas já haviam entrado na casa .

Ao me deslocar pelo lado, em direção aos fundos, outro colega já trazia um indivíduo algemado.
Tudo muito rápido.

A grande quantidade de policiais ajudava, também, na hora das buscas.
Procuramos entorpecentes por todos os lugares, desde os comuns até os mais incomuns.

Depois de um tempo, nada havia sido encontrado.
Instintivamente mexi um vaso de flor que estava do lado de fora da casa, ao lado da porta.

Havia um papelote aberto com uma espécie de farelo dentro.
Chamei os colegas mais velhos e eles disseram que parecia muito com crack.

Para mim, parecia farelo de pão.
Mas o papelote era de droga.

Depois de fotografado, foi recolhido.
Outros colegas também concordaram que tinha aspecto de farelo de pão.

Na dúvida, foi apreendido e remetido para perícia.
As pessoas da casa aparentavam normalidade diante de nossa atuação.

A mesma normalidade que havia presenciado na outra operação, em Itaqui.
Depois de tudo pronto, rumamos para a Delegacia, onde tudo já estava organizado para a feitura dos procedimentos de praxe.

Saldo positivo na operação e muito aprendizado.
 


 

http://www.pc.rs.gov.br/conteudo.php?cod_menu=461&cod_conteudo=20662

http://www.ijui.com/index.php?option=com_content&view=article&id=42153-mega-operacao-castelo-de-areia-faz-prisoes-e-apreensoes-em-panambi

http://www.ijui.com/noticias/seguranca/42149-policia-civil-realiza-mega-operacao-castelo-branco-para-prender-traficantes-em-ijui-catuipe-e-panambi

http://www.agoraja.net/site/ver.php?codigo=5318

http://www.radioprogresso.com.br/noticias/segurancapublica/regionaiselocais/6991-operacao-qcastelo-de-areiaq-desmantela-seis-quadrilhas-acusadas-de-trafico-de-drogas-em-ijui-e-regiao

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/policia/noticia/2012/11/policia-civil-desmantela-quadrilhas-de-trafico-de-drogas-em-tres-cidades-do-noroeste-3960364.html

http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI6325562-EI5030,00-Operacao+policial+tenta+desarticular+quadrilhas+no+Rio+Grande+do+Sul.html