Páginas

Mostrando postagens com marcador brigada militar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador brigada militar. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de maio de 2013

Semana corrida


Voltando depois de alguns dias sem computador.
A semana foi bem movimentada, então vamos tentar fazer um retrospecto.

Ainda na sexta-feira passada, substituí um colega no Plantão.
Durante o dia, movimentado, mas a noite foi calma.

A madruga foi agitada.
Duas ocorrências aparentemente simples, mas que tomaram muito tempo.

Uma localização de uma menor que constava no sistema como desaparecida.
Isso é relativamente comum.

As pessoas registram o sumiço e depois, quando a pessoa volta, não vão registrar a localização.
O registro é simples, mas localizar um responsável na madrugada não é muito simples.

Quando terminei e deitei um pouco, por volta de 02h30min, logo chegaram duas guarnições da brigada militar com um preso por desacato, resistência e desobediência.
Imediatamente o coloquei na cela, algemado mesmo, já que estava muito agitado.

E aí foi um sacrifício para convencê-lo a se aproximar da grade para ser desalgemado.
Ai ele começou a nos ofender, nos chamando de todos os impropérios possíveis e a chutar a grade.

Pela extrema agitação, acredito que não estivesse apenas alcoolizado.
Fosse minha a algema e eu teria deixado, mas como era de um dos policiais militares, acredito que ele quisesse de volta.

Imaginei que seria temerário entrar na cela e desalgemá-lo.
Provavelmente conseguiríamos, mas exporíamos a nossa integridade física e a dele (mais a dele) e eu não estava a fim de responder nada por enquanto.

Então um dos policiais ficou conversando com ele, para acalmá-lo, até conseguir retirar a algema.
Por precaução, filmamos o preso chutando a grade e nos desacatando, para nossa própria segurança, afinal, ele deve ter ficado machucado.

Também fiz uma ocorrência bem completa e certifiquei todo o ocorrido.
Na segunda-feira, iniciou meu sobreaviso.

E já no primeiro dia, durante a noite, fomos acionados.
Um acidente com vítima fatal em uma rodovia.

Quando chegamos, a Polícia Rodoviária Federal já havia tomado todas as providências relacionadas ao levantamento do local e remoção da vítima.
Apenas fotografamos o local e fizemos um relatório. O relatório da PRF foi acostado posteriormente.

Na quinta-feira, deflagramos a “Operação Abigeatus” na cidade.
Foco principal no combate ao abigeato, mas realizamos inspeções em todos os estabelecimentos comerciais da cidade que vendem derivados de carne.

Também vistoriamos datas de validade, produtos procedentes de contrabando e/ou descaminho, lotes de leite com suspeita de adulteração e carne não inspecionada.
Todos os estabelecimentos com alguma irregularidade tiveram seus donos ou responsáveis autuados em flagrante.

Começamos antes das 6h e só paramos depois da meia noite.
Um dia extremamente agitado.

Embora valha muito a pena e seja bem interessante, é realmente muito cansativo.

Operação e festa são legais, mas ficam melhores na casa dos outros (piadinha).


sábado, 16 de fevereiro de 2013

O desabafo do policial baleado



Passados 45 dias de uma das maiores ações criminosas da história do Estado, em que três assaltantes foram mortos e nenhum refém restou ferido após a explosão de uma fábrica de jóias, o único policial militar baleado com gravidade na madrugada de 30 de dezembro, em Cotiporã, vive momentos de angústia. 

O servidor público que protegeu uma família de agricultores e tirou de circulação bandidos que usavam explosivos para roubar bancos, pedágios e empresas vê golpeado, pela primeira vez em 15 anos, o orgulho de vestir a farda da Brigada Militar. Entre os mortos, estava o então foragido número 1 do RS, Elizandro Rodrigo Falcão, 31 anos. 

Além do movimento em uma das mãos, o PM de 41 anos, casado e pai de um menino de seis anos, perdeu o vale-alimentação, as horas extras e a gratificação salarial que dobravam seu salário. Além disso, admite que a curto prazo não receberá a promoção anunciada pelo governador Tarso Genro.

A promoção, que tramita na Subcomissão de Avaliação e Mérito de Praças da BM, só ocorrerá quando o soldado for considerado inocente no inquérito aberto pela BM para verificar se os policiais não se excederam no confronto com os assaltantes. O PM também precisará ser inocentado na ação civil pública que tramita na Justiça comum. A seguir, entrevista concedida por ele ao jornal Pioneiro.

Entrevista: Policial baleado

"Eu poderia nem estar mais aqui"

Pioneiro — Como vocês estavam armados? E os bandidos?
Policial — Eles estavam com fuzil, pistola e quatro ou cinco armas curtas. Nós tínhamos três fuzis.

Pioneiro — Em que momento o senhor foi baleado?
Policial — Quando eu me protegi atrás da viatura para recarregar a pistola. Levei dois tiros na perna e o meu colega levou estilhaços na canela. Quando sobrou só um bandido (o criminoso achado no mato uma semana depois), ele fez um cordão de reféns para evitar que a gente atirasse nele. Quando eu mandei os reféns se abaixarem, ele atirou no meu braço. Eu tentava negociar a saída dele ou a nossa. No começo, ele queria que nós pegássemos a viatura e fôssemos embora. Depois, tentou negociar para que ele fosse embora. Quando os colegas falaram que não tinha chance, ele fugiu para o mato.

Pioneiro — Você foi logo atendido?
Policial — Não, demorou. Eu estava perdendo sangue, com o braço quebrado.

Pioneiro — Você sofreu algum impacto emocional?
Policial — Todos que estavam envolvidos têm experiência. Não teve nenhum tipo de sequela psicológica.

Pioneiro — O que mudou na sua vida profissional?
Policial — A Brigada está me dando a assistência que preciso. Passei por duas cirurgias, fiquei 17 dias no hospital sem qualquer custo. Mas agora estou afastado, a princípio por seis meses, para recuperação dos movimentos da mão.

Pioneiro — Qual era seu salário antes e quanto recebe agora?
Policial — Nós perdemos parte do sálario quando somos afastados. Perdi a gratificação que ganhava como sargento (embora seja soldado). É complicado perder parte do salário. Quando mais você precisa, o salário é retirado. Mas faz parte do regulamento. Tenho 15 anos na BM, e sempre foi assim.

Pioneiro — Qual sua renda?
Policial — Eu estava recebendo em média R$ 3 mil. Agora recebo em torno de R$ 1,7 mil. O problema é que as contas não param. Só com aluguel nós gastamos R$ 500. Por enquanto, estamos conseguindo encaixar dentro da renda. Não está faltando nada.

Pioneiro — O governador Tarso Genro anunciou, quando visitou Cotiporã, que pediria a promoção dos policiais que atuaram no confronto. Se promovido, o senhor passará de soldado para...
Policial — Nós arriscamos a nossa vida, eu poderia nem estar mais aqui, então seria uma valorização ao policial militar. Eu passaria para segundo-sargento.

Pioneiro — Quando o senhor volta ao serviço?
Policial — A minha expectativa era que fosse o mais rápido possível, mas vai demorar um pouco, pois é preciso que o inquérito aberto para ver se agimos corretamente seja arquivado. Essa demora, financeiramente, acabará me prejudicando.

Pioneiro — E o futuro?
Policial — O meu objetivo é recuperar o movimento da mão. Minha mãe pede que eu saia da Brigada e consiga outro emprego. Mas, depois de passar 15 anos na Brigada, é complicado abandonar tudo.

PM tem perdas salariais

Mesmo que as reduções na folha de pagamento de um policial militar ferido constem no estatuto, a Associação dos Cabos e Soldados da Brigada Militar as considera arbitrárias.

Além de perder horas extras e bonificações, o soldado ferido também fica sem direito ao vale-alimentação durante o período de afastamento. Outra luta da entidade é pela garantia de apoio psicológico, não oferecido aos servidores:

— O regulamento é ultrapassado. Temos muitos soldados dispensados por não terem condições de atuar nas ruas, mas que poderiam desempenhar atividades administrativas. Neste caso, o soldado é mutilado psicologicamente porque, para a Brigada, se tu não podes atuar fora, é um inútil — diz o presidente da associação, Leonel Lucas.

Na primeira quinzena de janeiro, o governador Tarso Genro solicitou que fosse aberto processo de promoção dos quatro brigadianos que confrontaram em Cotiporã.

— Após a tramitação do processo criminal que corre na Justiça comum, ele seguirá para deliberação de um colegiado formado por oficiais da BM. Mas, caso haja alguma denúncia por parte do Ministério Público ou de outra parte do processo, ele poderá se arrastar por mais tempo — reconhece o comandante da Subcomissão de Avaliação e Mérito de Praças, capitão Márcio Soares Lopes.
Caso seja considerado inválido para o trabalho, o soldado de Cotiporã receberá um seguro de R$ 25 mil. No restante do país, a média é de R$ 150 mil.


Texto extraído do Jornal Zero Hora:
 http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/policia/noticia/2013/02/o-desabafo-do-policial-baleado-4046622.html

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Trabalhando no Carnaval


Fomos às 21h de segunda-feira para o Porto.
A cidade faz divisa com uma cidade argentina.


A fronteira é feita pelo rio Uruguai, um dos maiores do Rio Grande do Sul (senão o maior).
Há a ponte internacional, que faz a ligação entre os dois países, mas há o “Porto”.


O Porto é o ponto de encontro de muitos e o local com a maior concentração de pessoas no Carnaval.
Isso exige muito policiamento.


Por isso, Polícia Civil e Brigada Militar se juntam para que a segurança como um todo saia a contento.
Trabalhamos identificados, com camiseta da Polícia Civil e o colete a prova de balas.


Uma Delegacia Móvel foi montada no Porto para pequenos registros.
Flagrantes continuariam sendo registrados na Delegacia “fixa”.

Policiais de Santiago foram designados para a tarefa na Delegacia Móvel.
Outra equipe ficaria no apoio, a disposição, fazendo o transporte dos flagrantes até a Delegacia de Polícia.


Toda a área do Porto, que não é pequena, foi cercada por grades de meia altura.
Havia Policiais Militares em quase toda a sua extensão.


Havia apenas duas entradas e saídas.
Em ambas, homens e mulheres eram revistados.


Quando chegamos fui designado, juntamente com outro colega, para ficar na entrada principal, ajudando os Policiais Militares a revistar as pessoas que chegavam.
De início, poucas pessoas chegavam. Logo, blocos inteiros chegavam ao mesmo tempo, formando filas.


Fui o mais educado possível.
“Boa noite, com licença”, revistava, nada encontrado, “boa festa!”.

Mesmo assim, pude perceber como há pessoas que se incomodam, injustificadamente, com a revista pessoal.
Era visível que todos, eu disse TODOS, estavam sendo revistados.


Qual o motivo, então, para reclamar de uma revista que está sendo feita exatamente para que nada de ruim aconteça para “as pessoas de bem”?
Sim, pois o “pessoa de bem” é muito utilizado como argumento para reclamar de uma revista, como se isso viesse escrito na testa de cada um.


Por vezes, era preciso ser mais ríspido, para responder uma grosseria.
Mesmo assim, não sei ser mal educado, não faz parte da minha personalidade.


Me abstenho e procuro não discutir ou ficar dando lição de moral.
Depois de mais de duas horas ali, trocamos com outros colegas.

Fomos fazer a “ronda” em dupla.
Ficamos andando por toda a extensão do porto, fazendo um policiamento ostensivo, mesmo que essa não seja nossa formação.


Não havia muito a ser feito a não ser ficar andando, parar por alguns momentos, e continuar a caminhar.
Já passava da meia noite e tudo seguia tranqüilo, sem nenhum incidente.

Pela primeira vez, ouvi cantadas em função da profissão.
Mas não foram apenas para mim, vários colegas relataram o mesmo.

Quase no final da festa, algumas pequenas brigas iniciaram, mas foram prontamente debeladas.


Outros incidentes ocorreram no resto da Cidade, alguns graves, mas pouquíssimas ocorrências ocorreram no Porto durante os três dias.
Isso mostra que, não importa o número de pessoas, quando há planejamento, organização e disponibilidade de pessoal e equipamentos, sempre haverá um bom trabalho.

Passava das 05h quando fomos embora, mas a Brigada Militar ficou mais um pouco para tirar todas as pessoas do Porto e entregar o lugar "limpo".

Fiquei muito cansado de ficar de pé a noite toda, mas valeu a pena.

Sentimento de dever cumprido.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Resposta ao texto "O risco da valentia" de Humberto Trezzi

Tomei a liberdade de compartilhar o texto postado no Facebook pelo Movimento dos Aprovados da PCRS:
"Carta em resposta ao Sr Humberto Trezzi, da Zero Hora.

Sobre seu comentário em uma péssima hora. "O risco da valentia". Vou esclarecer lhe alguns pontos:

Não se trata de valentia, mas sim de uma vontade inabalável de cumprir o dever, prender o assassino, o ladrão e o traficante e, acredite ai de cima, não se sabe a hora de se deparar ( usamos farda ostensiva, não ficamos observando escondidos e nos equipamos de acordo com o que virá) e pode ser a qualquer instante.
A imensa maioria dos PMs anda em duplas, quando não sozinhos, atendendo estas mesmas ocorrências que podem contar com vários delinquentes e posso lhe garantir que recuo é sinônimo de tiro nas costas.
No caso do colega Policial Civil, se ele deixasse de reagir, provavelmente morreria com um tiro na nuca, como a Soldado Karina, morta ajoelhada dentro de um ônibus, fato tão questionado não pela sua morte, mas pela morte subsequente dos assassinos.
Apesar de alguns pensarem que somos de aço e infalíveis, podemos nos deparar com alguém mais forte, mais ágil e isso, meu caro, não constitui falha.

Pois bem, no momento que recebo a notícia da morte do meu amigo e colega, Marcelo Fogaça, o qual entramos como Soldados juntos há vinte anos, julgam seu ato, que foi destemido e com poucos recursos igualmente a todos esses anos, de "valentia". Isso me soa desrespeitoso, leviano e com um ar de arrogância superior, pois o Marcelo morreu por gente que nem conhece que viria a ser vítima desse lixo da sociedade protegido por políticos hipócritas e pseudo-intelectuais.

Mesmo com a morte do Marcelo Fogaça. lhe garanto, Sr. Humberto Trezzi, que continuaremos da mesma forma destemida e "de valentia" e sabe o porquê? Por que é assim mesmo, historicamente sem equipamentos, viaturas, efetivo, etc, mas com o risco da própria vida a sociedade, ainda que ingratamente, precisa de nosso sangue".

1º Tenente Renato Andrade

Comandante do Pelotão de Operações Especiais 11º BPM.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Um ano novo se inicia

Primeiramente gostaria de abraçá-los, mesmo que tardiamente, pela chegada de um novo ano.

Eu estava viajando e, por isso, novamente desliguei-me do Blog.

Novamente estarei em casa por alguns dias, pela conversão de horas extras em folga.

Enquanto não recebo em dinheiro, tiro folga.

Como não ganhei na Mega da Virada, o trabalho segue.

Muito embora talvez seguisse trabalhando mesmo com esse "dinheirinho" a mais.

Eu estava na região Serrana do Estado quando fiquei sabendo da notícia da morte do foragido mais procurado do RS.

Conheço um dos PMs que estava na ocorrência, já que ele é natural de São Luiz Gonzaga.

A placa de um dos carros, clonada, era de São Luiz Gonzaga.

Estanhas e interessantes coincidências.

Embora a função policial seja a de exercer seu papel preservando vidas, acredito que, no caso mencionado, muito embora com as mortes, isso foi feito.

Foram preservadas as vidas dos reféns e dos policiais.

Pela descrição dos fatos, uma cena surreal, onde a técnica foi auxiliada pela sorte.

Tivessem os policiais acertado um dos reféns, seriam crucificados por uma atuação desastrada, independente da morte de bandidos.

Ninguém quer saber o motivo do erro da Polícia.

Não nos é permitido errar.
Diante de todas as circunstâncias (policiais em número inferior, feridos, com armamento inferior, bandidos com muitos reféns, a escuridão de uma estrada vicinal) vejo como uma ação iluminada, digna de medalha e promoção por ato de bravura.

Há alguns dias, recebi minha segunda portaria de louvor, pela pariticpação naquela primeira operação, em Itaqui (aquela do gato preto).

Isso é gratificante.

Ninguém trabalha só pelo dinheiro.

O reconhecimento sempre nos motiva ainda mais.

Que o novo ano que começa seja promissor, com muito combate à criminalidade.

Sempre, claro, voltando para casa.