Páginas

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Revendo os colegas


Essa semana foi bastante corrida.

Tentarei fazer um resumo dos últimos dias.

Na terça-feira, saímos às 06h em direção ao interior de outro município, para cumprimento de mandados de busca e apreensão.

Como a Delegacia de lá possui poucos agentes, fomos auxiliá-los.

Como eram dois endereços, fomos em duas equipes, cada um com quatro policiais.

Seguimos pela estrada de chão até os locais.

A primeira viatura chegou primeiro ao destino. Nós seguimos mais um pouco.

Quando chegamos ao local, percebemos que havia dois locais. Uma residência e uma espécie de bar (esses de interior mesmo).

Decidimos ir diretamente à casa.

Depois de devidamente cercada batemos na porta, chamando pelo nome do morador.

Nada.

Continuamos batendo nas portas, nas janelas, e nada.

Espiamos por uma fresta da janela, mas não havia movimentação de pessoas.

Dois colegas foram ate o bar e ficamos em dois na casa, caso aparecesse alguém.

Logo ouvi a colega falando para alguém sair da casa.

Entrei na triangulação da porta com a colega e logo o morador apareceu.

Procedida a revista, informamos sobre o cumprimento do mandado.

Realizamos as buscas e encontramos alguns objetos, que foram apreendidos.

Tudo terminado, pegamos o caminho de volta, mas decidimos chegar no endereço onde os outros colegas ainda estavam.

Fizemos bem.

Além de ter várias pessoas na casa, foram encontradas várias irregularidades.

Além dos objetos elencados no mandado de busca estarem ali (e não eram 
poucos), vários outros de procedência não suficientemente esclarecidas foram apreendidos.

Além de uma arma ter sido apreendida, ainda havia indícios de abigeato.

Acabamos ficando a manhã toda lá.

Semana passada eu havia recebido a informação de que, em virtude da morte do Michel Vieira, nossa turma de Acadepol seria convocada pela Chefia para uma conversa.

Não seriam convocados todos os formandos, apenas os colegas da turma 14.

Na segunda-feira, a notícia se confirmou através da convocação oficial.

Elaborei um ofício de apresentação de uma ordem de viagem, elementos indispensáveis em uma viagem a trabalho.

Qualquer imprevisto será amparado por estes documentos.

Na terça-feira de noite, Luana e eu embarcamos em direção a Porto Alegre.

Uma pequena viagem de quase oito horas até lá.

Deveríamos nos apresentar na Academia de Polícia às 13h30min, então, pela manhã, fui até o Departamento de Polícia do Interior (DPI), localizado no 
Palácio da Polícia, para ver o que deveria ser feito para ser ressarcido pelo gasto com passagens e se teria direito à diária.

Fui muito bem atendido e minhas dúvidas foram sanadas.

Tenho direito ao ressarcimento das passagens mediante à comprovação do gasto com elas e terei direito à diária assim que fizer um Relatório de Serviço e encaminhar ao DPI.

Combinamos com os colegas e fomos almoçar no mesmo lugar.

É muito bom rever os colegas de Academia depois de tanto tempo, pena que por um motivo trágico.

Falando nisso, a ida a Porto Alegre me deixou receoso.

Tentei ser o mais discreto possível, ainda mais com a arma.

Era um medo que havia passado enquanto eu estava no curso de formação, mas que havia voltado com força na quarta-feira.

No horário combinado, estávamos todos na Academia de Polícia.

O Chefe de Polícia, Delegado Ranolfo, primeiramente pediu que nos apresentássemos, dizendo nome e lotação.

Depois, referiu a preocupação com os fatos ocorridos nos últimos dias e mostrou-se solidário.

Referiu que sentia-se na obrigação de dirigir-se aos colegas do Michel para dizer que a Instituição, através de todos os setores que a compõe, estavam 
prontos a nos auxiliar em qualquer situação.

Conversamos um pouco sobre a necessidade e a previsão legal de andarmos sempre armados, mas preparados para essa responsabilidade.

Depois, conversamos em grupo com duas psicólogas do Serviço de Assistência Social (SAS).

É um setor da própria Instituição que também nos foi disponibilizado ainda na Academia de Polícia.

Depois de tudo terminado, ficamos conversando na frente Academia, enquanto os alunos do Curso de Formação para Delegado transitavam por ali de uniforme.

Logo, aproximou-se uma moça (cujo nome não lembro e peço desculpas) perguntando se meu nome era Luiz.

Respondi que sim e ela mencionou ser leitora assídua do Blog.

Logo, outra aluna aproximou-se para conversar e falar sobre o Blog.

Fiquei muito surpreso e feliz com a notícia.

Passei o resto do dia com os colegas e de noite embarquei de volta para São Borja.

Com duas noites dormindo dentro de um ônibus, não tive condições de trabalhar pela manhã.

À tarde, recebi a convocação para substituir um colega no Plantão amanhã.

Meus dias de folga pós-Plantão cairão no fim de semana e poderei usufruir apenas a segunda-feira de folga.

Mas “não dá nada”, afinal, estamos aí pra isso.

13 comentários:

  1. Complicado essa situação do colega Michel. Força pra vocês. Achei legal a atitude da estrutura da pcrs. Parabéns pelo blog. Está cada vez mais legal ter informações sobre a estrutura da pc e sobre o trabalho. Abraços.

    ResponderExcluir
  2. Boa tarde Luiz, quer dizer que está surgindo mais uma celebridade da internet? Luiz sendo reconhecido pela rua, kkkkkkk.

    Força aí amigão, eu sou um cara muito positivo, não sou de ferro, mas tento manter a calma mesmo na mais difícil adversidade, apesar do episódio trágido com o Michel, temos que observar as lições que podemos tirar disso, modo de agir, modo de se portar, aumentar nossa atenção e observação, tomar mais cuidado.

    Talvês tenha sido para isso que a Academia os convocou, não sei, mas mesmo que não temos que fazer esse "exercício" por nossa conta.

    Você falou muito bem, andar armado não significa "tirar onda de pistola" como se diz por aqui e sim chamar a responsabilidade para si, atenção redobrada e ter consciência de sua condição de "agente da lei".

    Se precisar de ombro amigo para desabafar saiba que tem vários aqui no Blog (sem pederastia hein, há ombros femininos também se preferir, kkkkkkk).

    Força e honra camarada.
    Fábio D.

    ResponderExcluir
  3. Bela atitude da Institução. Demonstra preocupação. Coisa rara, quando se pensa em serviços públicos.

    Bom trabalho Luiz e ignore o anônimo aí de cima.

    Abraços

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Também considerei interessante.
      Obrigado, abraço!

      Excluir
  4. Esses policiais civís do RJ são realmente durões...

    ResponderExcluir
  5. Infelizmente nem todos tem a mesma solidariedade por um colega morto. Não podemos julgar jamais.

    ResponderExcluir
  6. Luiz, a moça da Acadepol sou eu - hehehe. Te reconheci pela foto de perfil aqui do blog.
    Gosto muito de ler os teus relatos. Já me imagino trabalhando, e o início sempre traz muitas dúvida.
    Abraços!
    Anita

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Anita! (lembrei teu nome... eheheh)
      Obrigado por acompanhar.
      Abraço!

      Excluir
  7. Luiz, a príncipio o meu comentário nada tem a ver com essa postagem, mas devido a esse acontecimento que resultou na morte do seu colega de Acadepol e meu colega policial (mesmo não o conhecendo, considero-o colega; e, para mim, todos os policiais são meus colegas); a notícia do link que coloco aqui pode ser útil para você, para os policiais que frequentam esse blog e para os que pretendem tornar-se policiais. Talvez, se o colega estivesse portando uma arma com um 'stop power' maior, o resultado poderia ter sido bem diferente.

    http://g1.globo.com/brasil/noticia/2013/01/exercito-autoriza-policiais-usar-pistolas-de-calibre-de-maior-potencia.html

    Vale a pena juntar dinheiro, pedir empréstimo e endividar-se para garantir essa arma o mais rápido possível. Eu estou decidindo qual modelo comprar, para juntar-se às minhas PT 940 e G25.

    Abraço.

    Papa Charlie

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Por enquanto, para mim, ainda é um sonho distante.
      Vamos ver daqui mais uns meses...
      Abraço!

      Excluir
  8. Caro Luiz E. Morais, meu nome é Juliano e estou conhecendo teu blog agora. Parabéns pela tua iniciativa de informar e pela tua coragem de se identificar publicamente ainda mais na net que tu é um policial. Não afirmo q isso é bom ou ruim, ou coragem de quem se identifica ou medo de quem não o faz, apenas cada um tem uma postura e é livre para tal. Mas como tu te identificou e com uma ótima intenção que é ajudar, fico pensando o tanto q me arrependi quando desisti no meio do caminho para entrar na acadepol. Hoje, estudo e estou disposto a tentar entrar e não pretendo abandonar na metade do certame, aliás quero muito e espero conseguir e me tornar um colega teu, tal situação que me deixará com muito orgulho.
    Vou seguir lendo teu blog para aprender mais sobre a rotina e cada dia q vai passar terei certeza do que eu quero pra mim. Abraço e boa luta pra todos que são policiais.

    ResponderExcluir