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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Finalizando procedimentos...


Fiquei isolado hoje.
Modo de falar, claro.

Concentrei-me na conclusão de procedimentos pendentes.
Mas mesmo assim, sempre aparecem outras coisas para serem feitas.

Não tem como planejar um dia de trabalho na polícia.
Não completamente.

Alguma coisa sairá do seu controle e terás que fazer algo que não era planejado.
Mas faz parte do trabalho.

E isso não significa que seja ruim.
Realizei algumas diligências externas sozinho.

Coisas simples, como ir atrás de vítimas para buscar alguma coisa que faltava para concluir os procedimentos.
Ao final da tarde, um lanchinho pago pela colega que estava de aniversário descontraiu o dia.

 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Um dia de sorrisos debochados.



A semana passou voando.

Cada vez mais trabalho.

O fato de cinco colegas de Seção estar de férias contribuiu.

No início da semana recebemos informação de que dois indivíduos de Porto 
Alegre estariam em um beco conhecido da cidade, consumindo e vendendo drogas com velhos conhecidos da polícia.

Decidimos ir até o local para identificá-los.

Fomos m quatro colegas, por garantia.

Próximo a esse beco, há uma esquina, onde há mercancia de drogas.

Sabemos disso.

Todo mundo sabe disso.

Mas, depois de muitas abordagens e prisões eles ficaram mais espertos.

Mas continuam por ali.

Quando a viatura discreta se aproximou, três indivíduos saíram um para cada direção, caminhando calmamente.

O beco iria esperar.

A abordagem tinha que ser feita.

Escolhemos um e fomos na sua direção.

Aprendi que devo esquecer o resto e cuidar as mãos.

Apenas as mãos.

Quando sentem que serão abordados eles simplesmente largam o que trazem e permanecem com uma passividade invejável.

Ele caminhava com as mãos fechadas, esbanjando tranquilidade.

Quando nos aproximamos mais e a viatura parou ao lado ao seu lado, percebi 
ele largar algo.

Falei para os colegas: ele largou!

Desci rapidamente da viatura a tempo de vê-lo largar mais alguma coisa.

Cheguei “em cima dele” e mandei mostrar as mãos.

A decepção.

Eram apenas pequenas sementes verdes de uma árvore conhecida.

Revistamos, mas ele não trazia nada com ele.

Liberamos e tivemos que vê-lo sair com um sorriso debochado no rosto.

Voltamos para o beco então.

Perguntamos para uma senhora dobre os indivíduos.

Segundo ela, um era seu filho, que teria vindo passar uns dias com a família ali.

Mas já havia voltado para Porto Alegre.

Quanto ao outro indivíduo, referiu não ter visto por ali.

Tudo esclarecido, meu colega pediu para que eu pegasse o nome de um outro rapaz que estava ali, só por garantia.

Quando me aproximei ele disse que não diria seu nome.

“Então vamos te levar pra Delegacia pra te identificar”, falei pra ele.

“Não sei por que”, ele disse.

“Ou tu me dá teu nome ou vai com nós até a Delegacia, tu escolhe” continuei.

E então ele me deu o nome.

E outra vez aparecia o sorriso debochado, mesmo que em outro rosto.

Não tinha nada de errado, apesar de várias passagens por posse de entorpecentes.

Quis apenas dar uma de malandro.

De qualquer forma, eu, que antes apenas observava e quase nunca falava nada nessas situações, consegui me impor de forma que ele respeitasse o meu trabalho.

A roda gira e vamos ver quem vair rir de quem.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A prisão e o aprendizado.


Não pude escrever ontem.
Mas foi um dia interessante.

Na noite de terça para quarta-feira, finalmente, caiu um dos principais assaltantes do centro da Cidade.
Já sabíamos quem era.

E ele estava ficando descuidado e cada vez mais atrevido.
Era questão de tempo para ser pego.

Após praticar mais um assalto, foi perseguido por populares, pelos colegas da Brigada militar e por uma equipe da Polícia Civil, que o prenderam escondido em um pátio de uma casa deitado atrás de um pé de bananeira.
A notícia da prisão correu logo e algumas vítimas compareceram na Delegacia.

Até mesmo as que, até então, não haviam registrado ocorrência.
Nos organizamos e deixamos tudo pronto para realizar o reconhecimento pessoal no turno da tarde.

Oito vítimas compareceram.
As oito reconheceram.

E ainda há mais vítimas!
A prisão foi um alívio para todos.

Há a possibilidade de que estivesse praticando um ou dois assaltos, no mínimo, por dia.
Com os reconhecimentos, certamente ficará um bom tempo fechado.

Tudo isso deu uma correria danada.
Arrumar pessoas para auxiliar como coadjuvantes no reconhecimento.

Mais duas testemunhas...
Mas deu tudo certo.

Hoje, no turno da tarde, fomos cumprir um mandado de busca e apreensão no interior.
As notícias recebidas não eram boas.

Poderia haver recalcitrância.
Então, fomos em cinco policiais, em duas viaturas.

Todos com colete, todos armados, todos atentos.
Ao chegar, apenas uma mulher com uma criança pequena estava na casa.

Na verdade, haviam duas casas na granja.
Mostramos o mandado e ela prontamente auxiliou, nos levando para uma das casas, onde, supostamente era o endereço que procurávamos.

Enquanto entrávamos na casa, ela saiu dizendo que iria buscar o filho pequeno, para não deixá-lo sozinho.
Um colega mais experiente, orientou uma colega a segui-la.

E ela foi.
Apressou o passo para tentar alcançá-la.

Entrou na casa a tempo de vê-la esconder uma arma embaixo de umas roupas.
Não era a que buscávamos, mas, diante disso, foi apreendida.

Todos conduzidos para a Delegacia.
A arma, conforme o dono, possuía registro.

E isso foi confirmado posteriormente.
A mulher, assustada, pensou estar ajudando o marido fazendo o que fez.

Não vi o desfecho, pois não acompanhei o registro e as oitivas.
Mas acredito que foram liberados após o registro.

De qualquer forma, ficou o aprendizado de não descuidar nunca.
Em nenhum momento.

Em nenhuma circunstância.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

E não é que ele foi assaltado três vezes...


Dia muito corrido.
Tanto quanto ontem.
Muitas atividades.

Organizando procedimentos e atendendo pessoas pela manhã.
Durante a tarde, a oitiva de um jovem que foi assaltado pela terceira vez pelo mesmo indivíduo.

Os detalhes são a melhor parte, mas, infelizmente, não posso escrevê-los.
Seria tudo cômico, se não fosse trágico.

Pelo menos já sabemos quem foi.
Quem sabe nos próximos dias ele pare um pouco com os roubos em série.

Também fizemos uma prisão durante a tarde.
O indivíduo a ser preso não estava em casa.

Fomos informados de que estaria em um bar.
O encontramos no referido bar tomando pinga.

Não tivemos problema.
O chamamos, falamos da prisão e convidamos a nos acompanhar.

Ele entrou na viatura e partimos.
Falava coisas típicas de pessoas embriagadas, ou seja: demos algumas risadas.

Serviu para descontrair o final de um dia corrido.
 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Não aqui. Não comigo.


Voltando depois de muitos dias em casa.
Parece que estou iniciando do zero.

E a preguiça é inevitável.
Mas, como tem de ser, não parei o dia todo.

Organizando tudo, ficando a par de tudo que havia chegado na minha ausência.
O número de procedimento, aparentemente, continua o mesmo.

Com uma pequena diferença.
Muitos casos complexos, mas com possibilidade de serem resolvidos.

Muitas informações chegando e outras a serem colhidas.
Atenção total para não perde o fio da meada.

Meu novo parceiro tem um ritmo diferente.
E isso é normal, cada um tem um jeito diferente de trabalho.

Saímos muito atrás de informações, a tarde toda.
Agora percebo claramente a membrana frágil que há entre a honestidade e a desonestidade.

As pessoas prejudicadas nos pedem auxílio, pedem para que solucionemos os casos.
E, por vezes, oferecem “o que for preciso” para atingirmos tal objetivo.

Logicamente não aceitamos.
Isso não faz parte da minha personalidade ou do meu caráter.

Mas agora entendo como pessoas “com a cabeça fraca” podem corromper-se facilmente.
Nada justifica, que isso fique bem claro.

Não, não estou tentando justificar condutas de policiais corruptos.
Mas fica claro que isso pode não começar por iniciativa policial.

As pessoas acham que oferecendo presentes ou recompensas as coisas andarão da melhor forma.
Infelizmente isso acontece em alguns lugares, não há como negar.

Mas não aqui.
Não comigo.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Nem tudo são flores...



Escrito por Tanise Dal Santo Pes*


Esse texto é especialmente para a mulherada.

Acordei as 06:30 da manhã porque era dia de lavar o cabelo e isso requer tempo.

Aliás, muito tempo.

Cabelo lavado, escovado e uma chapinha para garantir o liso perfeito, e lá se vai uma hora e meia de tempo perdido.

O dia estava lindo, um céu super azul e o calor já estava forte.

Fui trabalhar e a manhã passou tranquila e serena.

Quando volto às 13:30, o tempo já havia mudado e o céu estava escuro.
Vinha chuva pela frente.

Começa a chuva e vem o trabalho, cumprir um mandado de busca e apreensão.

Bóra lá cumprir então!

Chegamos na casa e a chuva não dava sossego.
 
Mas nessas horas, nada de pensar em se defender dos pingos, a responsabilidade fala mais alto.

Cada cômodo da casa tinha uma surpresa: BARATAS, do tamanho e do jeito que vocês possam imaginar.

Sem medo e, principalmente, sem nojo, ia matando cada uma que atravessava meu caminho.

Porém, nem tive como contar quantas matei, pois, na certa, ia perder as contas.

Busca feita, material apreendido e missão cumprida. 

Hora de voltar para casa.

Antes de tomar aquele banho uma rápida olhadinha no espelho:

MEU DEUS!!! Cadê o cabelo liso??? 

Foi-se com a chuva. 

Porém, mal sabia eu que o pior ainda estava por vir.

Uma coceira começa no tornozelo, vou conferir e vem o susto: PULGAS.

Isso mesmo, PULGAS, muitas mordidas delas, impossível contar quantas foram. 

Se haviam tantas baratas na casa, era lógico que teriam pulgas também, mas na hora da adrenalina da situação ficava difícil de nota-lás.

Resultado do dia: sem cabelo liso, genocídio de baratas e as pernas pintadas por pulgas. 

Realmente meninas, nem tudo são flores na vida policial.



*Inspetora de Polícia lotada na cidade de Uruguaiana

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Um ano novo se inicia

Primeiramente gostaria de abraçá-los, mesmo que tardiamente, pela chegada de um novo ano.

Eu estava viajando e, por isso, novamente desliguei-me do Blog.

Novamente estarei em casa por alguns dias, pela conversão de horas extras em folga.

Enquanto não recebo em dinheiro, tiro folga.

Como não ganhei na Mega da Virada, o trabalho segue.

Muito embora talvez seguisse trabalhando mesmo com esse "dinheirinho" a mais.

Eu estava na região Serrana do Estado quando fiquei sabendo da notícia da morte do foragido mais procurado do RS.

Conheço um dos PMs que estava na ocorrência, já que ele é natural de São Luiz Gonzaga.

A placa de um dos carros, clonada, era de São Luiz Gonzaga.

Estanhas e interessantes coincidências.

Embora a função policial seja a de exercer seu papel preservando vidas, acredito que, no caso mencionado, muito embora com as mortes, isso foi feito.

Foram preservadas as vidas dos reféns e dos policiais.

Pela descrição dos fatos, uma cena surreal, onde a técnica foi auxiliada pela sorte.

Tivessem os policiais acertado um dos reféns, seriam crucificados por uma atuação desastrada, independente da morte de bandidos.

Ninguém quer saber o motivo do erro da Polícia.

Não nos é permitido errar.
Diante de todas as circunstâncias (policiais em número inferior, feridos, com armamento inferior, bandidos com muitos reféns, a escuridão de uma estrada vicinal) vejo como uma ação iluminada, digna de medalha e promoção por ato de bravura.

Há alguns dias, recebi minha segunda portaria de louvor, pela pariticpação naquela primeira operação, em Itaqui (aquela do gato preto).

Isso é gratificante.

Ninguém trabalha só pelo dinheiro.

O reconhecimento sempre nos motiva ainda mais.

Que o novo ano que começa seja promissor, com muito combate à criminalidade.

Sempre, claro, voltando para casa.