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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O choro durante o depoimento


Logo cedo fomos para o interior, cumprir um mandado de busca e apreensão.
Fomos em quatro policiais, mas todos na mesma viatura.

O dia anterior foi chuvoso, deixando muito barro nas estradas do interior.
Pra piorar, muitas porteiras para abrir durante o percurso.

Na ida, não abri nenhuma. Na volta, todas.
Mas foi por vontade própria.

A hierarquia ou a antiguidade não foram utilizadas.
Revistamos a casa, os colegas olharam no meio do mato, mas não encontramos o que buscávamos.

Quando voltamos para a Delegacia uma oitiva esperava para ser feita.
Um menor foi apreendido com uma considerável quantidade de drogas na madrugada.

Ele aguardava com a mãe.
A indignação dela só não era maior que a minha, de ver um guri tão novo andando sozinho de noite e envolvendo-se com o tráfico.

Aconselhei, tentei abrir-lhe os olhos, embora saiba que isso é indiferente para alguns.
Disse com seriedade e calma o que achei que precisava ser dito.

Não fui estúpido, não fui mal educado, não dei lição de moral.
Apenas relatei o que o espera se não resolver sair logo desse mundo.

Vi sinceridade nas lágrimas dele.
Se ele vai seguir os conselhos ou não, é outra história.

Durante a tarde, realizamos algumas diligências na rua.
Uma delas foi o levantamento de um local de crime onde havia ocorrido um duplo homicídio tentado no carnaval.

Procuramos sinais e resquícios dos projéteis por todos os lados.
Imaginava ser mais fácil.

Mesmo com a notícia de muitos disparos realizados, fui muito difícil encontrar evidências.
No meio da tarde, o setor de pagamento, de Porto Alegre, me telefonou.

Segundo eles, havia problemas para pagar minha ajuda de custo.
A ajuda de custo é devida quando o servidor é transferido contra a sua vontade, desde que essa remoção não seja em função de alguma falta.

Quando a remoção é a pedido, não é devida a ajuda de custo.
Teoricamente, ela serve para que o servidor público instale-se na nova cidade e arque com as despesas oriundas da remoção.

Na prática, ela vem muito depois da transferência.
Tanto é que estou trabalhando há cinco meses e ainda não recebi.

Por algum motivo, meus documentos para cadastro no sistema FPE não deram certo.
Esse sistema serve para o recebimento de diárias, também, por exemplo.

Acho que amanhã resolvo tudo isso, encaminhando por e-mail todos os documentos.
 

3 comentários:

  1. Realmente deve ser complicado ver o choro de uma criança...Mas por outro lado, qndo ele não está preso, ele está rindo da gente e contando vantagem com os amigos, por ser bandido...

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  2. Situação delicada... O problema é que está crescendo cada vez mais os delitos praticados por menores. Nesse momento ele arrepende mas depois vira o lado. Abraços.

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